
A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, gerar 73,7 mil empregos e resultar em R$ 928 milhões em arrecadação tributária, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur. Do total de oito cidades-sede, três estão no Nordeste: Fortaleza, Recife e Salvador.
O levantamento estima ainda R$ 3,8 bilhões de impacto no PIB brasileiro e R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros. Diante desse potencial, a Embratur avalia que o país reúne condições para receber a competição. “O país tem a infraestrutura adequada e isso inclui Fortaleza, Recife e Nordeste”, afirma o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd.
Dos R$ 8,8 bilhões projetados, R$ 4,7 bilhões correspondem aos impactos associados ao público durante o período da competição. O cálculo considera um fluxo estimado de 2 milhões de pessoas, entre residentes e turistas, ao longo do mês do torneio.
Segundo o estudo, esse movimento pode sustentar 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e resultar em R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.
Para Gevaerd, o principal desafio, comum a todas as cidades que receberão jogos, é fazer com que as empresas compreendam a dimensão econômica do evento e se sintam confortáveis em investir para atrair mais visitantes.
Copa pode ampliar público do futebol feminino
Além do impacto econômico, a competição também é vista pela Embratur como uma oportunidade de ampliar o público do futebol feminino e aproximar novos espectadores dos estádios.
Há, também, uma questão social e cultural. “Uma pesquisa da CBF indica que quase 60% da população brasileira nunca foi a estádios, sendo 72% desse grupo formado por mulheres. A Copa é uma grande oportunidade de romper essa barreira, fortalecendo a modalidade e atraindo um novo público”, diz.
A ampliação do público pode gerar efeitos sobre diferentes segmentos da economia ligados ao esporte e ao entretenimento, além de contribuir para a consolidação do futebol feminino como mercado.
Investimentos para a organização
O segundo eixo do levantamento trata dos investimentos necessários para a organização da Copa, estimados em R$ 4,1 bilhões de impacto na economia brasileira. A projeção considera o orçamento global da competição, estabelecido pela FIFA em US$ 800 milhões. Desse montante, 43% (US$ 344 milhões) correspondem a premiações internacionais e não são contabilizados como impacto na economia brasileira.
Os recursos restantes, após a conversão cambial, representam uma injeção direta estimada em R$ 2,3 bilhões no mercado local, destinados a despesas relacionadas à logística, transmissão, segurança e saúde. Esse eixo deve sustentar aproximadamente 28 mil postos de trabalho.
Gevaerd destaca que o Brasil faz parte de um grupo seleto de países que recebeu todos os grandes eventos esportivos — Copa do Mundo de Futebol Masculina, Olimpíadas e agora a Copa de Futebol Feminina — em pouco mais de uma década “Também sediamos recentemente o G20, Brics e COP 30”, reforça.
Isso consolida o Brasil como um polo capaz de receber o mundo inteiro em grandes eventos, segundo o diretor. “A cada oportunidade, o país amplia seu legado turístico e fortalece a imagem de um destino diverso, seguro e inclusivo que as pessoas desejam conhecer, aperfeiçoando-se para turistas e para quem vive aqui”, considera.
Fortaleza aposta em turismo e promoção internacional
Entre as três capitais nordestinas que receberão jogos, Fortaleza prepara ações voltadas à mobilidade, ao turismo e à promoção da cidade durante a competição.
A secretária de Turismo de Fortaleza, Denise Carrá, avalia a Copa do Mundo Feminina de 2027 como um marco turístico para a cidade. “A Prefeitura de Fortaleza está trabalhando em diversas frentes para garantir uma boa experiência para todos os visitantes e moradores que irão prestigiar as jogadoras no Castelão no ano que vem”, afirma.

Segundo Denise, o trabalho envolve ações transversais, com a participação de diversas pastas da Prefeitura e parceria com o Governo do Estado. Entre as iniciativas, estão melhorias na mobilidade e no transporte público, ações de incentivo ao esporte feminino e de desenvolvimento econômico para mulheres, além do FIFA Fan Fest, que deverá funcionar como espaço de celebração e convivência para moradores e visitantes.
“A competição transforma Fortaleza em uma vitrine mundial. Pessoas de todo o mundo irão passar por Fortaleza para assistir aos nove jogos que a nossa cidade irá sediar”, comenta.
Para Denise, a escolha de Fortaleza como cidade-sede da Copa também amplia a visibilidade da capital no mercado internacional. “A própria escolha de Fortaleza como cidade-sede da Copa do Mundo Feminina 2027 é uma prova da ampliação da visibilidade da capital no mercado internacional. O FIFA Fan Fest será uma realização da Secretaria de Turismo de Fortaleza, justamente por entendermos todo o potencial turístico do evento”, afirma.
“Ao longo da Copa, realizaremos ações de promoção turística, com distribuição de materiais informativos e atendimento especializado ao turista. Queremos que os visitantes que virão para a competição possam conhecer nossa Fortaleza Sem Igual e se encantar pela nossa cultura, pela nossa gastronomia e pelas nossas belezas”, conclui a secretária.
Promoção internacional do Nordeste
A Embratur pretende atuar em parceria com estados e municípios para fortalecer a promoção internacional de Fortaleza, Recife e Salvador e consolidar o Nordeste como destino de turismo esportivo. Esse trabalho está sendo construído pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo 2027, coordenada pelo Ministério dos Esportes. O Estudo de Impacto Econômico foi a primeira etapa para ampliar esse olhar sobre a Copa 2027.
A estratégia busca aproveitar a realização do torneio para gerar efeitos que ultrapassem o período dos jogos, especialmente por meio da divulgação internacional dos destinos e da atração de novos visitantes.
Impactos regionais dependem da definição dos jogos
Apesar das projeções nacionais, ainda será necessário detalhar quanto desse impacto poderá ser atribuído especificamente a Fortaleza, Recife e Salvador. Gevaerd ressalta que haverá um detalhamento específico do recorte regional para as capitais da Região Nordeste. Isso será possível a partir da definição dos jogos em cada cidade-sede, informação que permitirá dimensionar parte dos impactos do evento.
Assim, a distribuição dos jogos entre as cidades será determinante para estimar com maior precisão o fluxo de visitantes, os gastos, a geração de empregos e os efeitos sobre a cadeia de turismo e serviços em cada capital.