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10 de setembro de 2026 18:26

O que Fortaleza, Recife e Salvador têm a ganhar com a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027?

O que Fortaleza, Recife e Salvador têm a ganhar com a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027?

Estudo da FGV Projetos, encomendado pela Embratur, estima que a Copa movimente R$ 8,8 bilhões no Brasil, gere 73,7 mil empregos e arrecade R$ 928 milhões em tributos, com impactos no turismo, no consumo e na infraestrutura das três cidades nordestinas entre as oito sedes do torneio
Copa do Mundo Feminina 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões no Brasil e gerar 73,7 mil empregos. Fortaleza, Recife e Salvador estão entre as oito cidades-sede do torneio | Foto: FIFA / Divulgação – fifa.com

A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, gerar 73,7 mil empregos e resultar em R$ 928 milhões em arrecadação tributária, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur. Do total de oito cidades-sede, três estão no Nordeste: Fortaleza, Recife e Salvador.

O levantamento estima ainda R$ 3,8 bilhões de impacto no PIB brasileiro e R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros. Diante desse potencial, a Embratur avalia que o país reúne condições para receber a competição. “O país tem a infraestrutura adequada e isso inclui Fortaleza, Recife e Nordeste”, afirma o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd.

Dos R$ 8,8 bilhões projetados, R$ 4,7 bilhões correspondem aos impactos associados ao público durante o período da competição. O cálculo considera um fluxo estimado de 2 milhões de pessoas, entre residentes e turistas, ao longo do mês do torneio.

Segundo o estudo, esse movimento pode sustentar 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e resultar em R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.

Para Gevaerd, o principal desafio, comum a todas as cidades que receberão jogos, é fazer com que as empresas compreendam a dimensão econômica do evento e se sintam confortáveis em investir para atrair mais visitantes.

Copa pode ampliar público do futebol feminino

Além do impacto econômico, a competição também é vista pela Embratur como uma oportunidade de ampliar o público do futebol feminino e aproximar novos espectadores dos estádios.

Há, também, uma questão social e cultural. “Uma pesquisa da CBF indica que quase 60% da população brasileira nunca foi a estádios, sendo 72% desse grupo formado por mulheres. A Copa é uma grande oportunidade de romper essa barreira, fortalecendo a modalidade e atraindo um novo público”, diz.

A ampliação do público pode gerar efeitos sobre diferentes segmentos da economia ligados ao esporte e ao entretenimento, além de contribuir para a consolidação do futebol feminino como mercado.

Investimentos para a organização

O segundo eixo do levantamento trata dos investimentos necessários para a organização da Copa, estimados em R$ 4,1 bilhões de impacto na economia brasileira. A projeção considera o orçamento global da competição, estabelecido pela FIFA em US$ 800 milhões. Desse montante, 43% (US$ 344 milhões) correspondem a premiações internacionais e não são contabilizados como impacto na economia brasileira.

Os recursos restantes, após a conversão cambial, representam uma injeção direta estimada em R$ 2,3 bilhões no mercado local, destinados a despesas relacionadas à logística, transmissão, segurança e saúde. Esse eixo deve sustentar aproximadamente 28 mil postos de trabalho.

Gevaerd destaca que o Brasil faz parte de um grupo seleto de países que recebeu todos os grandes eventos esportivos — Copa do Mundo de Futebol Masculina, Olimpíadas e agora a Copa de Futebol Feminina — em pouco mais de uma década “Também sediamos recentemente o G20, Brics e COP 30”, reforça.

Isso consolida o Brasil como um polo capaz de receber o mundo inteiro em grandes eventos, segundo o diretor. “A cada oportunidade, o país amplia seu legado turístico e fortalece a imagem de um destino diverso, seguro e inclusivo que as pessoas desejam conhecer, aperfeiçoando-se para turistas e para quem vive aqui”, considera.

Fortaleza aposta em turismo e promoção internacional

Entre as três capitais nordestinas que receberão jogos, Fortaleza prepara ações voltadas à mobilidade, ao turismo e à promoção da cidade durante a competição.

A secretária de Turismo de Fortaleza, Denise Carrá, avalia a Copa do Mundo Feminina de 2027 como um marco turístico para a cidade. “A Prefeitura de Fortaleza está trabalhando em diversas frentes para garantir uma boa experiência para todos os visitantes e moradores que irão prestigiar as jogadoras no Castelão no ano que vem”, afirma.

Secretaria de Turismo de Fortaleza vê Copa Feminina de 2027 como oportunidade de ampliar projeção internacional da cidade | Foto: Felipe Cruz/FEC

Segundo Denise, o trabalho envolve ações transversais, com a participação de diversas pastas da Prefeitura e parceria com o Governo do Estado. Entre as iniciativas, estão melhorias na mobilidade e no transporte público, ações de incentivo ao esporte feminino e de desenvolvimento econômico para mulheres, além do FIFA Fan Fest, que deverá funcionar como espaço de celebração e convivência para moradores e visitantes.

“A competição transforma Fortaleza em uma vitrine mundial. Pessoas de todo o mundo irão passar por Fortaleza para assistir aos nove jogos que a nossa cidade irá sediar”, comenta.

Para Denise, a escolha de Fortaleza como cidade-sede da Copa também amplia a visibilidade da capital no mercado internacional. “A própria escolha de Fortaleza como cidade-sede da Copa do Mundo Feminina 2027 é uma prova da ampliação da visibilidade da capital no mercado internacional. O FIFA Fan Fest será uma realização da Secretaria de Turismo de Fortaleza, justamente por entendermos todo o potencial turístico do evento”, afirma.

“Ao longo da Copa, realizaremos ações de promoção turística, com distribuição de materiais informativos e atendimento especializado ao turista. Queremos que os visitantes que virão para a competição possam conhecer nossa Fortaleza Sem Igual e se encantar pela nossa cultura, pela nossa gastronomia e pelas nossas belezas”, conclui a secretária.

Promoção internacional do Nordeste

A Embratur pretende atuar em parceria com estados e municípios para fortalecer a promoção internacional de Fortaleza, Recife e Salvador e consolidar o Nordeste como destino de turismo esportivo. Esse trabalho está sendo construído pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo 2027, coordenada pelo Ministério dos Esportes. O Estudo de Impacto Econômico foi a primeira etapa para ampliar esse olhar sobre a Copa 2027.

A estratégia busca aproveitar a realização do torneio para gerar efeitos que ultrapassem o período dos jogos, especialmente por meio da divulgação internacional dos destinos e da atração de novos visitantes.

Impactos regionais dependem da definição dos jogos

Apesar das projeções nacionais, ainda será necessário detalhar quanto desse impacto poderá ser atribuído especificamente a Fortaleza, Recife e Salvador. Gevaerd ressalta que haverá um detalhamento específico do recorte regional para as capitais da Região Nordeste. Isso será possível a partir da definição dos jogos em cada cidade-sede, informação que permitirá dimensionar parte dos impactos do evento.

Assim, a distribuição dos jogos entre as cidades será determinante para estimar com maior precisão o fluxo de visitantes, os gastos, a geração de empregos e os efeitos sobre a cadeia de turismo e serviços em cada capital.

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