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30 de julho de 2026 11:03

O salto econômico do Maranhão em 2026

O salto econômico do Maranhão em 2026

No primeiro trimestre de 2026, o Maranhão registrou crescimento do PIB de 5,3%, quase o triplo da média nacional e quatro vezes superior ao desempenho do Nordeste; economista avalia que resultado é fruto da combinação entre expansão industrial, avanços na infraestrutura logística, ambiente favorável aos negócios e fortalecimento do consumo das famílias
Foto: Divulgação

Maranhão chega à metade de 2026 entre as economias de maior crescimento do país. Levantamento do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc) mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) estadual avançou 5,3% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa quase o triplo da expansão registrada pelo Brasil (1,8%) e um desempenho quatro vezes superior ao do Nordeste (1,3%).

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a economia maranhense também manteve trajetória positiva, com crescimento de 1,3%, acima da média nacional (1,1%) e da regional (0,2%). O avanço foi sustentado principalmente pela indústria, mas também contou com contribuições dos setores de serviços e agropecuária.

Ao analisar o desempenho, o economista e chefe do Departamento de Contas Regionais do Imesc, Anderson Nunes, afirma que o crescimento observado nos primeiros meses do ano foi disseminado entre diferentes segmentos da economia, embora a indústria tenha exercido papel decisivo. “Nossa indústria cresceu 17,4% e, dentro dela, existem vários segmentos. Podemos destacar a indústria de transformação, a extrativa, os serviços industriais de utilidade pública e a construção”, menciona.

Indústria avança enquanto Nordeste recua

O principal diferencial do Maranhão em relação ao restante da região foi o desempenho industrial. Enquanto o setor registrou retração de 0,8% no Nordeste, a indústria maranhense cresceu 17,4% no primeiro trimestre, ficando 15,8 pontos percentuais acima da média nacional (1,6%) e 18,2 pontos acima do resultado regional.

Entre as atividades industriais, o maior crescimento foi registrado pelos segmentos de água, esgoto e energia (23,7%), seguido pelas indústrias de transformação (20,9%), indústrias extrativas (17,8%) e construção (5,3%).

Segundo Nunes, a indústria de transformação foi a principal responsável por impulsionar o resultado, especialmente com a ampliação da produção de biocombustíveis.

“O que mais impactou positivamente a economia maranhense foi a indústria de transformação, principalmente na atividade de produção de biocombustíveis. Temos uma empresa que recentemente se instalou em Balsas e está produzindo etanol a partir do milho, utilizando a forte produção de grãos do estado para fabricar um novo produto e gerar valor agregado para o Maranhão”, explica.

Além dos biocombustíveis, segmentos como metalurgia, alimentos e mineração contribuíram para ampliar a atividade industrial e diversificar a produção estadual.

Infraestrutura logística amplia competitividade

Para o economista, a expansão da indústria está diretamente relacionada aos investimentos em infraestrutura e à capacidade logística do estado, fatores que reduzem custos operacionais e aumentam a competitividade para novos empreendimentos.

Nunes destaca que a combinação entre rodovias, integração ferroviária e o Porto do Itaqui fortalece o ambiente de negócios e facilita o escoamento da produção. “Para que o Maranhão tenha garantido um crescimento sustentável ao longo dos próximos anos, faz-se necessário não somente produzir, mas também contar com um ambiente de negócios favorável e uma boa infraestrutura”, considera.

Nesse contexto, o especialista aponta o Porto do Itaqui como um dos principais ativos econômicos do estado. “Podemos citar o Porto do Itaqui como o principal expoente, já que é um dos portos mais importantes do país e, em 2023, foi eleito pela Antaq como o segundo colocado em eficiência de gestão”, observa.

Segundo Nunes, a estrutura logística atende não apenas o Maranhão, mas também estados vizinhos inseridos na região do Matopiba.

“O porto é amplamente utilizado no escoamento da produção agrícola, não somente do Maranhão, mas também dos estados vizinhos, como o Tocantins, já que fazemos parte do Matopiba, região onde estão localizados grandes produtores de grãos. Além disso, por ele também são escoados minério de ferro e produtos da nossa metalurgia, como o alumínio e a alumina calcinada. Também exportamos grandes volumes de ouro, extraído por uma grande empresa que atua aqui no estado”, detalha.

Na avaliação do economista, essa estrutura gera impactos que vão além das exportações. “Esses produtos geram um forte efeito de encadeamento na economia e têm um impacto muito positivo sobre o nosso valor agregado”, ressalta.

Emprego e consumo fortalecem o setor de serviços

Os reflexos da atividade econômica também aparecem no mercado de trabalho. “Encerramos o mês de maio, que corresponde à informação mais recente disponível sobre emprego formal, com um saldo positivo de quase 2 mil empregos formais no estado, resultado das atividades econômicas que estão acontecendo em todo o território”, afirma Nunes.

O fortalecimento do mercado de trabalho também contribuiu para impulsionar o setor de serviços, que cresceu 2,5% no primeiro trimestre, acima das médias brasileira e nordestina. Comércio, transporte, atividades financeiras, mercado imobiliário, informação e comunicação, administração pública e outros serviços figuraram entre os segmentos de maior dinamismo.

“Podemos citar o aumento no consumo das famílias, que contribuiu para o crescimento de 2,5% do setor terciário, conforme os dados do PIB do primeiro trimestre de 2026”, destaca.

O aumento do consumo das famílias reforçou o ciclo de crescimento da economia maranhense em 2026 | Foto: Secom/Governo do Estado do Maranhão

Segundo o economista, o avanço do consumo também foi favorecido pelas mudanças na tributação da renda implementadas no início do ano. “Quando analisamos o consumo das famílias, observamos um crescimento expressivo, principalmente em razão das mudanças que passaram a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 em relação ao Imposto de Renda”, comenta.

“Hoje, com a nova tabela, quem ganha até R$ 5 mil é isento do pagamento do imposto. Isso gera um reflexo positivo porque sobra mais dinheiro para as famílias e para os trabalhadores. Consequentemente, as pessoas tendem a consumir mais. Consumindo mais, gera-se um maior efeito de encadeamento na economia, fazendo com que o valor agregado se espalhe por todo o território”, complementa Nunes.

Crescimento sustentado

Para Anderson Nunes, os resultados registrados no início de 2026 não representam um movimento isolado, mas a continuidade de um ciclo de expansão observado nos últimos anos.

“Nos últimos quatro anos, o estado tem seguido uma tendência de crescimento sustentável. Temos registrado uma média de crescimento entre 3% e 3,5%, que poderá se estender ao longo dos próximos anos, caso o estado continue atuando fortemente, juntamente com o setor privado, nos mais variados segmentos da nossa economia”, destaca.

Na avaliação do economista, manter investimentos em infraestrutura, fortalecer a logística e preservar um ambiente favorável aos negócios serão fatores determinantes para sustentar o ritmo de crescimento e ampliar a atração de investimentos privados nos próximos anos.

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