
O Itaú apresentou recentemente o ia.i (Itaú Artificial Intelligence), uma ferramenta integrada ao aplicativo que utiliza inteligência artificial generativa para processar comandos de texto e voz. A tecnologia combina navegação por cliques com linguagem natural, permitindo a execução direta de transações como transferências via pix, além de oferecer orientações de gestão financeira personalizadas com base nos dados históricos de navegação e consumo do próprio usuário.
Com este modelo, a instituição busca simplificar a jornada digital no ambiente do superapp, atuando tanto como um assistente de autosserviço para o cliente quanto como um suporte operacional interno para a força de trabalho do banco. A estratégia foca no engajamento contínuo e na consolidação de relacionamento em mercados com alta densidade digital e maior maturidade de dados transacionais.
No cenário nordestino, onde a bancarização formal e os níveis de digitalização apresentam variações heterogêneas entre grandes centros e áreas rurais, o uso da inteligência artificial assume um direcionamento voltado à superação de barreiras de entrada no sistema financeiro.
No Banco do Nordeste, por exemplo, a aplicação de modelos avançados concentra-se na estruturação da análise de risco e concessão de microcrédito. O programa Crediamigo, operado pelo BNB, utiliza desde 2019 o MADEC, um modelo baseado em Machine Learning responsável por participar da avaliação de cerca de 90% das operações de crédito do programa.
Diferente das abordagens baseadas exclusivamente no histórico tradicional, o modelo do BNB processa dados comportamentais alternativos dos microempreendedores. Essa estrutura analítica permite avaliar a capacidade de pagamento de tomadores que não possuem patrimônio garantidor ou relacionamento formal prévio com o sistema financeiro, mitigando assimetrias de informação e viabilizando a inclusão bancária. “O principal benefício percebido pelo cliente é a maior agilidade na obtenção de uma resposta para sua demanda de crédito. Ao tornar os processos de análise mais rápidos e eficientes, a Inteligência Artificial contribui para que o cliente receba uma resposta compatível com a urgência de sua necessidade, reduzindo etapas operacionais e tornando a jornada mais simples”, reforça o BNB em comunicado enviado para o Investindo Por Aí.
O Banco do Nordeste mantém uma governança em que os algoritmos atuam como ferramentas de suporte preditivo, enquanto a decisão final permanece vinculada à avaliação técnica e presencial dos agentes de crédito, preservando a validação das condições socioeconômicas locais.
Além da concessão de crédito no varejo popular, o BNB possui estratégia de inteligência artificial em torno da plataforma MIA (Multimodelo de Inteligência Artificial), que é voltada ao desenvolvimento interno de soluções operacionais. Entre as iniciativas integradas à rede estão uma ferramenta voltada à automação e checagem de documentação física e digital em processos de concessão de crédito, reduzindo o tempo de processamento das propostas; um assistente corporativo inteligente direcionado ao suporte dos colaboradores na consulta a regulamentações e normativos internos; a integração de ferramentas de produtividade para automação de tarefas administrativas; e o aprimoramento contínuo dos algoritmos preditivos de inadimplência e análise de capacidade financeira.
Para o Banco do Nordeste, a implementação de mecanismos de governança de dados e validação de algoritmos busca neutralizar vieses estatísticos que possam restringir a oferta de capital a áreas vulneráveis. “Além das iniciativas tecnológicas, o Banco possui como objetivo estratégico institucionalizar a governança de dados, nuvem e inteligência artificial, consolidando políticas, processos e controles que garantam o uso responsável e sustentável dessas tecnologias”, comenta em nota.