
Foto: Carlos Marlon
A partir de setembro, o Porto de Pecém, no Ceará, passará a oferecer um sistema inédito no Brasil: o shore power, tecnologia que permite que navios atracados desliguem seus motores a diesel e utilizem exclusivamente energia elétrica fornecida pelo porto. O investimento de R$ 13 milhões foi anunciado durante a feira Multimodal Nordeste 2026, realizada no Recife, e marca um passo importante na agenda de sustentabilidade do complexo portuário.
Toda a eletricidade fornecida aos navios terá certificação de origem renovável (I-REC), contratada junto à Casa dos Ventos, garantindo abastecimento por fontes eólicas e solares. A expectativa é evitar a emissão de cerca de 796 toneladas de dióxido de carbono por ano. Embora nem toda a frota mundial esteja preparada para operar com shore power, o gerente de negócios portuários do Pecém, Raul Viana, afirma que a demanda tende a crescer rapidamente. “Estamos nos antecipando ao mercado. Muitos navios mais novos já vêm preparados para essa conexão elétrica”, diz.
Além de reduzir emissões, a tecnologia deve diminuir custos operacionais dos armadores. “A gente tende a ser um porto verde. Os navios vão desligar seus motores a combustão e passar a funcionar com energia elétrica”, reforça Viana.
Infraestrutura para a Transnordestina
O porto também avança na construção de um novo berço de atracação para receber a Ferrovia Transnordestina, prevista para entrar em operação em 2028. A conexão deve acrescentar até 6 milhões de toneladas por ano ao volume movimentado pelo Pecém, hoje em torno de 21 milhões de toneladas, impulsionado principalmente por grãos e minérios.
O novo berço, com cerca de 350 metros, ampliará a capacidade do Terminal de Múltiplas Utilidades (Temute). A ferrovia não chegará diretamente ao cais: os trens descarregarão em um terminal na retroárea, administrado pela Nelog, de onde esteiras levarão as cargas até os navios. A responsabilidade pelas obras será compartilhada entre o porto, que cuidará da infraestrutura, e operadores privados, responsáveis pela superestrutura.
Expansão industrial e crescimento dos contêineres
O Pecém vive ainda uma fase de forte atração de investimentos industriais. Projetos ligados ao hidrogênio verde somam seis pré-contratos e devem iniciar operações por volta de 2030. Também estão em implantação os data centers da Omni e do TikTok, com investimentos que podem chegar a R$ 200 bilhões ao longo de quatro fases.
Na área de combustíveis, o complexo receberá nova tancagem da TMB e um terminal de GLP, além de uma usina termelétrica a gás natural liquefeito (GNL) da Eneva, estimada em R$ 6 bilhões.
A movimentação de contêineres deve continuar crescendo, embora em ritmo mais moderado que o registrado em 2025, quando o porto avançou 25% no segmento graças à consolidação da rota direta com a Ásia. Para 2026, a expectativa é de expansão entre 4% e 5%.