Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
12 de agosto de 2026 11:17

Privatição do metrô de Recife entra nos trilhos da campanha eleitoral em 2026

Privatição do metrô de Recife entra nos trilhos da campanha eleitoral em 2026

A narrativa que desenha a disputa entre a atual governadora Raquel Lira (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) será pautada pela eficiência do serviço na ponta e a capacidade fiscal do Estado em manter o sistema
Foto: Reprodução/Internet

A proposta de concessão do Metrô de Recife à iniciativa privada promete transferir os trilhos da região metropolitana direto para o centro do debate eleitoral em 2026. A narrativa que desenha a disputa entre a atual governadora Raquel Lira (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) será pautada pela eficiência do serviço na ponta e a capacidade fiscal do Estado em manter o sistema.

Para Fabio Andrade, especialista em políticas públicas e professor do curso de Relações Internacionais da ESPM, durante a década de 1990 e o início dos anos 2000, a discussão sobre desestatizações era ideológica, marcada por uma posição radicalmente contrária por parte dos partidos de esquerda. Naquela época, o embate girava em torno de conceitos abstratos, e termos como “governo entreguista” eram amplamente utilizados para demonizar o processo em si. Mas, a partir do momento em que a esquerda assumiu o poder e se deparou com o pragmatismo fiscal e os altos custos de manutenção das estruturas estatais, essa postura mudou. É o que reforça o professor, pontuando como a própria esquerda assimilou a necessidade de concessões diante dos custos estatais.

“O eleitor médio está atento à eficiência. O risco para Raquel Lira é contratar, menos do que o desgaste da privatização, o desgaste de ser responsável por um serviço que pode não ser eficiente”, analisa. De acordo com o professor, o eleitor periférico e de baixa renda, historicamente alinhado ao governo federal e à figura de Lula, tende a blindar o Planalto e atribuir eventuais falhas operacionais diretamente ao Palácio do Campo das Princesas, sede oficial do Poder Executivo de Pernambuco.

Essa transferência de responsabilidade política é acentuada quando confrontada com os dados técnicos. O engenheiro Maurício Pina, professor da UFPE e membro do Comitê Tecnológico Permanente do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), alerta que o Estado corre o risco de assumir uma fatura financeira impagável. Pernambuco desembolsa anualmente cerca de R$ 400 milhões em subsídios para as empresas de ônibus de alguns lotes. “O Estado vai ter o subsídio dos  lotes restantes, que ainda não foram licitados, e bancar esse subsídio da operação e da manutenção do metrô”, alerta Maurício.

Atualmente, o metrô está sob gestão da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), vinculada ao Ministério das Cidades. Em declaração recente, Raquel Lyra disse que o metrô do Recife está sucateado e coloca em risco a população. João Campos pouco comenta a respeito do assunto, mas também comentou em entrevista que confia no governo federal, reforçando que o foco tem que ser no usuário.

Além do rombo fiscal dos subsídios, o diagnóstico do CREA aponta que os R$ 4 bilhões previstos para a recuperação do sistema são insuficientes. O engenheiro cita que a rede aérea da Linha Centro tem mais de 40 anos e o cronograma proposto exige 10 anos para sua restauração, prolongando as panes cotidianas. Outro ponto crítico é a ausência de recursos para a manutenção de oito pontes e 30 viadutos ao longo dos 30 anos de concessão. “É inconcebível que no ano 2058 o sistema não tenha sido expandido”, comenta Maurício.

Para o especialista em políticas públicas e professor do curso de Relações Internacionais da ESPM, é exatamente nesse gargalo técnico que reside a estratégia de João Campos. Fabio acredita que prefeito do Recife enfrentará um cálculo complexo para criticar o modelo. “Ele pode apontar possíveis problemas de eficiência e mostrar que correm o risco de ter algo parecido com as questões da energia elétrica em São Paulo, ou as próprias inconclusões de obras do BRT no Rio”, pontua.

Maurício Pina também afasta o temor de exclusão de linhas periféricas devido ao modelo de rede integrada e subsídio cruzado, mas reforça que a garantia de uma tarifa justa depende de uma gestão única — unificando ônibus e trilhos sob o Consórcio Grande Recife.

👆

Assine a newsletter
do Investindo por aí!

 

Gostou desse artigo? compartilhe!

Últimas

WhatsApp Image 2026-08-06 at 17.04
agricultura familiar
BNB_Energia renovável
Saneamento básico
Porto-do-Pecem
Ascom Sudene
ChatGPT Image 7 de ago
WhatsApp Image 2026-07-22 at 17.37
Parque tecnológico
Carnaval de Salvador

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#pf-content img.pf-large-image.pf-primary-img.flex-width.pf-size-full.mediumImage{ display:none !important; }