
Ceará, Pernambuco, Bahia e Piauí concentram R$ 71,21 bilhões em saldo devedor de operações de crédito garantidas pela União. Juntos, os quatro estados representam 29,6% dos R$ 240,57 bilhões registrados para todos os governos estaduais no segundo quadrimestre de 2026. Os dados constam do Relatório Quadrimestral de Operações de Crédito Garantidas, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, com posição em 31 de agosto.
A carteira total de garantias da União chegou a R$ 353,64 bilhões. Os estados representam 68,03% desse montante. Entre eles, a Bahia aparece com o terceiro maior saldo do país, de R$ 23,71 bilhões, seguida pelo Ceará, com R$ 18,69 bilhões. Pernambuco soma R$ 15,09 bilhões e o Piauí, R$ 13,72 bilhões.
O caso cearense chama atenção pela combinação entre volume de dívida e capacidade de pagamento. Com classificação CAPAG A+, determinada a partir de indicadores de endividamento, poupança corrente e liquidez, o Estado possui a melhor nota entre os dez maiores saldos devedores estaduais. O Rio de Janeiro, segundo colocado, tem R$ 25,86 bilhões em saldo e classificação D.
O movimento também é alimentado por novas operações. Em 2026, a Bahia contratou bilhões de reais em financiamentos com Banco do Brasil e um consórcio formado por Itaú, Bradesco e Santander. Pernambuco assinou operação de R$ 1,51 bilhão com o mesmo consórcio, enquanto Recife e outros municípios pernambucanos também contrataram crédito.
No Piauí, foram firmados dois contratos com o Banco do Brasil, que somam mais de R$ 525 milhões, além de operações internacionais com o BIRD e o BID.
O histórico de garantias honradas pela União também revela diferenças dentro do Nordeste. Desde 2016, Pernambuco acumulou R$ 1,44 bilhão em honras; Maranhão, R$ 1,51 bilhão; Piauí, R$ 875,58 milhões; e Rio Grande do Norte, R$ 890,97 milhões. Em 2026, até agosto, o Rio Grande do Norte teve R$ 185 milhões honrados pela União.
Quando a garantia federal é acionada para quitar uma dívida, o Estado beneficiado fica impedido de contratar novas operações com garantia da União por até 12 meses. O mecanismo torna a capacidade de pagamento um fator central para os governos que buscam ampliar o acesso a crédito.