
A agropecuária foi o principal destaque da economia cearense no segundo trimestre de 2026. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 14% na comparação com o mesmo período de 2025, mais que o dobro da expansão registrada pela agropecuária brasileira, de 6,8%.
O resultado ajudou o PIB do Ceará a acumular alta de 2,21% entre abril e junho. Na comparação com o primeiro trimestre, a economia estadual avançou 0,18%, enquanto a agropecuária teve crescimento de 7,17%.
Embora responda por apenas 6,9% das riquezas produzidas no Ceará, o setor possui impacto que ultrapassa sua participação direta na economia. A atividade movimenta cadeias produtivas, contribui para a segurança alimentar e mantém efeitos sobre a indústria, especialmente por meio da agroindústria.
Entre os fatores que explicam o desempenho está o crescimento de 84% das lavouras de grãos de sequeiro, como milho, feijão e fava, na comparação entre 2026 e 2025. A produção de frutas também ganhou destaque, especialmente com melancia, mamão e maracujá. Na pecuária, o avanço do abate de bovinos, suínos e galináceos ajudou a sustentar o resultado.
Os números aparecem em um momento de expansão mais ampla da produção rural cearense. Em 2025, a safra agrícola alcançou valor recorde superior a R$ 6,6 bilhões. Já a produção da pecuária, somada à aquicultura e aos produtos de origem animal, chegou a R$ 7,3 bilhões.
O desempenho, contudo, permanece condicionado ao clima. A possibilidade de um El Niño forte, com temperaturas mais elevadas e períodos prolongados de estiagem, pode afetar a produção nos próximos meses. A dependência das chuvas continua sendo, portanto, um dos principais fatores de risco para a manutenção do ciclo de crescimento.