
Mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, custos logísticos crescentes e maior pressão sobre as margens, o setor atacadista e distribuidor de Alagoas encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho consistente e mantém perspectivas positivas para o restante do ano. A expectativa da Associação do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Alagoas (Acadeal) é de continuidade do crescimento, impulsionado pelos segmentos de alimentos, bebidas, higiene, limpeza, cuidados pessoais e produtos destinados ao food service, além da expansão de categorias como conveniência, produtos saudáveis, marcas regionais e embalagens econômicas.
O desempenho recente reforça a competitividade do setor no estado. O Ranking ABAD/NielsenIQ 2026, ano-base 2025, mostra que as empresas alagoanas movimentaram aproximadamente R$ 9,7 bilhões, crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Além disso, Alagoas contou com 109 empresas participantes, o maior número de respondentes entre todos os estados brasileiros, evidenciando a elevada representatividade e organização do segmento.
Outro resultado importante foi a manutenção das principais empresas alagoanas em posições de destaque. O Grupo Andrade permaneceu na liderança estadual, com faturamento de aproximadamente R$ 1,74 bilhão, seguido pela Asa Branca Distribuidora, com R$ 976 milhões, e pela Distac, com cerca de R$ 814 milhões. O Grupo Andrade também alcançou a segunda posição entre as maiores empresas atacadistas e distribuidoras do Nordeste.
Apesar do desempenho positivo, o ritmo de crescimento observado entre janeiro e junho foi mais moderado do que o registrado no ano anterior. Segundo o presidente da Acadeal, Almir Rogério, o setor enfrentou um ambiente de negócios mais desafiador, marcado pelo elevado custo do crédito, maior necessidade de capital de giro, aumento das despesas operacionais, pressão sobre os custos logísticos e redução das margens comerciais.
Maceió e sua Região Metropolitana seguem concentrando o maior mercado consumidor de Alagoas. No entanto, o Agreste, especialmente Arapiraca, consolida-se como importante polo de distribuição para o interior, enquanto o Sertão apresenta potencial de expansão com o fortalecimento dos centros urbanos e do comércio de proximidade. Já o Litoral Norte e Sul se destacam pelo crescimento do turismo, da hotelaria e da alimentação fora do lar, ampliando a demanda por produtos destinados ao consumo institucional.
Segundo Almir Rogério, o consumo das famílias continuou sendo o principal fator de sustentação do setor. Ainda assim, o comportamento do consumidor permaneceu marcado pela cautela, com prioridade para produtos essenciais, promoções, marcas com melhor relação custo-benefício e compras em menores volumes.
Os dados corroboram essa percepção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio varejista brasileiro acumulou crescimento de 1,7% entre janeiro e maio de 2026. Em Alagoas, a alta foi de aproximadamente 1,5%, indicando expansão do consumo, embora em ritmo mais moderado.
A inflação também continuou pressionando o setor. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,36% no primeiro semestre e de 4,64% em 12 meses até junho. Embora alguns grupos tenham apresentado desaceleração, alimentos, combustíveis, energia, embalagens e fretes seguem pressionando os custos operacionais e reduzindo o poder de compra das famílias.
Mesmo com a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano em junho, o custo do crédito ainda limita investimentos e encarece o capital de giro das empresas. Segundo Almir Rogério, isso afeta diretamente operações como financiamento de estoques, renovação de frotas, expansão dos centros de distribuição e investimentos em tecnologia, reduzindo a competitividade do setor.
Perspectivas para o segundo semestre
Historicamente mais aquecido, o segundo semestre deverá impulsionar as vendas do setor. Datas como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal, somadas ao pagamento do 13º salário e ao fortalecimento do turismo em Alagoas, tendem a ampliar a demanda por alimentos, bebidas, higiene, limpeza, utilidades domésticas e produtos destinados ao segmento de hotéis, bares e restaurantes.
Para o fechamento de 2026, a expectativa é de manutenção da trajetória de crescimento, ainda que em ritmo mais equilibrado do que o observado em 2025, quando as empresas participantes do Ranking ABAD movimentaram R$ 9,7 bilhões e registraram expansão de 12%. A Acadeal projeta aumento do faturamento, preservação dos empregos e geração gradual de novas vagas, especialmente nas áreas comercial, logística, tecnologia e armazenagem.
“Os investimentos devem se concentrar na modernização de centros de distribuição, renovação e gestão de frotas, automação de armazéns, sistemas de gestão, comércio eletrônico B2B, inteligência de dados, segurança e capacitação profissional. Entretanto, decisões de maior porte continuarão condicionadas à redução dos juros, à disponibilidade de crédito e à manutenção de um ambiente tributário e regulatório seguro”, declara Almir Rogério.
No cenário nacional, o Ranking ABAD/NielsenIQ 2026 aponta que o setor movimentou R$ 616,6 bilhões em 2025, com crescimento nominal de 17,27% e avanço real de 11%. O canal indireto passou a responder por 55,9% do mercado mercearil brasileiro, reforçando a importância estratégica da distribuição para o abastecimento do país. Em Alagoas, o faturamento de R$ 9,7 bilhões representou cerca de 19,9% do total registrado entre os participantes do Nordeste, evidenciando a relevância do estado no cenário regional.
“Os resultados apresentados confirmam que Alagoas possui empresas organizadas, competitivas e com presença cada vez mais relevante nos cenários regional e nacional. Aos empresários, reforço a importância de continuar investindo em gestão, produtividade, tecnologia, qualificação das equipes e conhecimento do consumidor. Em um ambiente de margens mais estreitas e custos elevados, crescer de forma sustentável exige planejamento, eficiência operacional e decisões orientadas por dados”, frisa o presidente.