
Crédito mais acessível, redução da burocracia, simplificação tributária e políticas públicas voltadas ao aumento da produtividade estão entre as principais demandas das micro e pequenas empresas para os candidatos ao Governo de Alagoas nas eleições deste ano. Responsável por movimentar a economia e gerar a maior parte dos empregos formais no estado, o segmento espera propostas que fortaleçam o ambiente de negócios e ampliem sua competitividade.
Especialistas e representantes do setor avaliam os avanços conquistados nos últimos anos, apontam os desafios ainda existentes e defendem medidas estruturantes para impulsionar o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico em Alagoas.
O diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AL), Keylle Lima, sinaliza que o ambiente de negócios no estado avançou nos últimos anos, sobretudo com a digitalização de serviços públicos e o fortalecimento de políticas voltadas ao empreendedorismo. No entanto, ressalta que ainda há desafios relacionados à complexidade regulatória, à integração entre órgãos públicos e ao aumento da produtividade das micro e pequenas empresas.
“A melhoria do ambiente de negócios é um processo permanente, que exige atuação coordenada entre poder público, setor produtivo e instituições de apoio ao empreendedorismo. Medidas de simplificação, integração dos serviços públicos e maior previsibilidade na relação entre empresas e administração pública contribuem diretamente para aumentar a competitividade dos pequenos negócios”, observa.
Entre as prioridades defendidas pela instituição estão o fortalecimento da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), a ampliação da digitalização dos serviços públicos, a simplificação dos processos de licenciamento e a integração entre os diferentes órgãos da administração pública. Segundo o gestor do Sebrae, essas medidas reduzem custos para os empreendedores e aumentam a competitividade dos pequenos negócios.

“Mais do que reduzir custos, simplificar processos significa criar condições para que o empresário concentre seus esforços na gestão, na inovação e no crescimento do negócio, ampliando a competitividade e a geração de emprego e renda”, enfatiza.
Para o economista Chico Rosário, o debate eleitoral precisa ir além das promessas genéricas de incentivo ao empreendedorismo e apresentar propostas estruturadas para fortalecer as micro e pequenas empresas. Na avaliação dele, medidas voltadas ao acesso ao crédito, qualificação gerencial, simplificação tributária, fortalecimento das cadeias produtivas e ampliação das compras públicas devem estar no centro dos programas de governo.
“O candidato precisa sair do discurso genérico sobre empreendedorismo e apresentar propostas concretas. É preciso facilitar o acesso ao crédito, reduzir a burocracia, qualificar os empresários e estruturar um plano de desenvolvimento que fortaleça as micro e pequenas empresas”, frisa.
Rosário reconhece que Alagoas avançou com iniciativas como o Prodesin e o Cresce Alagoas, mas pondera que muitos pequenos empresários ainda enfrentam dificuldades para acessar esses benefícios. Segundo ele, o estado carece de uma estratégia integrada de desenvolvimento que articule governo, instituições de fomento, universidades e setor produtivo para elevar a produtividade e a competitividade dos negócios locais.
“Hoje existem ações isoladas, mas não uma estratégia de desenvolvimento. É preciso articular crédito, inovação, universidades, cadeias produtivas e infraestrutura para que a micro e pequena empresa consiga crescer”, ressalta.
O economista também alerta para os desafios impostos pela reforma tributária. Em sua análise, a adaptação às novas regras exigirá investimentos em inovação, transformação digital e capacitação, o que torna ainda mais necessária a atuação do poder público no apoio às empresas de menor porte.
“Dar crédito é fundamental, mas não basta. É preciso construir um ecossistema de apoio para que os pequenos negócios incorporem tecnologia, aumentem a produtividade e consigam acessar novos mercados. Esse é o caminho para o desenvolvimento regional”, afirma.
