A startup cearense Biotech4Life Soluções está entre as dez finalistas de um concurso internacional de inovação no agronegócio promovido pela World Food Prize Foundation, organização responsável pelo prêmio considerado o “Nobel da Agricultura”. A empresa é a única brasileira selecionada entre mais de 1.500 inscritas.
O vencedor será anunciado em 21 de outubro, durante um congresso internacional em Iowa, nos Estados Unidos. Três finalistas serão escolhidas para participar do evento. Além da avaliação dos jurados, o público pode votar até 25 de julho na página da World Food Prize Foundation no Facebook.

Criada há cinco anos dentro da Universidade Federal do Ceará (UFC), a Biotech4Life desenvolve uma tecnologia de economia circular que transforma cabeças e cascas de camarão, resíduos da carcinicultura, em biofertilizante e bioestimulante agrícola. O processo biotecnológico, realizado em 24 horas, reduz passivos ambientais e pode diminuir a dependência de fertilizantes químicos.
A solução é desenvolvida por quatro pesquisadoras cearenses: Bella Giselly Torres Alves, Denise Hissa, Vânia Melo e Cristiane Rabelo. Os testes laboratoriais e de campo indicam aumento de até 40% na produtividade agrícola e recuperação da fertilidade do solo.
Segundo a empresa, testes com produtores também apontaram redução superior a 30% no uso de fertilizantes químicos após a preparação do solo com o biofertilizante. A tecnologia passou pelo processo de validação agronômica na Embrapa e está em fase de registro.
A startup é acelerada pelo Parque de Desenvolvimento Tecnológico da UFC (Padetec) e mantém parcerias com a universidade, a Embrapa Agroindústria Tropical e a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
A proposta ganha relevância em uma região que concentra parte importante da produção nacional de camarão. Ao transformar um resíduo da cadeia produtiva em insumo agrícola, a tecnologia busca combinar redução de impactos ambientais, recuperação do solo e ganhos econômicos para os produtores. A empresa estima retorno sobre o investimento de até 90%, com variações conforme a cultura agrícola.