
Natal segue a tendência nacional de alta nos preços de aluguel residencial, mas com características próprias que intensificam a pressão sobre o custo de moradia na cidade. Enquanto o FipeZap registrou avanço de 2,45% nos preços de locação no Brasil no primeiro trimestre de 2026 — acima do IPCA, de 1,92%, e do IGP-M, de 0,19% —, a capital potiguar enfrenta fatores estruturais que sustentam a valorização de forma consistente.
O principal deles é a taxa básica de juros, ainda em patamar elevado no país. O crédito imobiliário mais caro leva parte da população a adiar a compra da casa própria e permanecer no mercado de aluguel, ampliando a demanda por imóveis para locação. Em Natal, esse movimento é sentido com mais intensidade em bairros com infraestrutura consolidada e proximidade de áreas turísticas e comerciais, onde a procura é maior e a oferta, mais limitada.
A restrição de imóveis disponíveis nessas regiões intensifica a competição entre locatários e contribui para reajustes mais frequentes. O descompasso entre a valorização dos aluguéis e dos imóveis à venda, que avançaram apenas 0,48% em março, contra 0,84% das locações no mesmo período, também é observado na cidade, refletindo a dificuldade crescente de acesso à moradia própria.
Outro fator que explica a alta é a mudança na dinâmica dos contratos. Antes tradicionalmente atrelados ao IGP-M, os aluguéis em Natal, como no restante do país, passaram a ser renegociados com maior frequência e proximidade das condições reais de mercado. Isso faz com que, mesmo com o IGP-M baixo, 0,19% no trimestre, os preços continuem subindo em ritmo mais acelerado.
O cenário, segundo analistas, deve se manter ao longo de 2026. Em Natal, o equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como fator determinante para o comportamento dos preços — e, por ora, esse equilíbrio ainda pende para o lado de quem aluga.