
O Governo de Sergipe apresentou, na terça-feira (14), um amplo plano de ação para enfrentar os históricos problemas de abastecimento de água no estado. Elaborada em parceria entre a Iguá Saneamento e a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), a estratégia reúne metas, cronogramas e um conjunto de investimentos que devem ultrapassar R$ 1 bilhão até o fim do ano, abrangendo intervenções em diversas regiões.
Durante coletiva, o governador Fábio Mitidieri enfatizou a necessidade de transparência e previsibilidade na execução das obras, respondendo a uma demanda recorrente da população. Segundo ele, não basta anunciar números: é preciso detalhar prazos, locais e impactos diretos. A gestão estadual promete intensificar a fiscalização, com visitas in loco para monitorar o andamento das intervenções e garantir maior eficiência nas entregas.
O plano reconhece a complexidade do desafio. A precariedade da infraestrutura hídrica em Sergipe, marcada por redes antigas e defasadas, exige soluções estruturantes de médio e longo prazo. Nesse contexto, a concessão dos serviços à iniciativa privada é apontada como um caminho para acelerar investimentos, sem afastar a responsabilidade do Estado na regulação e cobrança de resultados.
Entre as ações emergenciais, destacam-se obras em municípios como Itabaiana, Lagarto e Porto da Folha, que somam cerca de R$ 34 milhões, incluindo a implantação de 59 quilômetros de adutoras e beneficiando mais de 70 mil pessoas. Já os chamados Plano de 100 Dias e Plano Verão concentram mais de 80 intervenções em dezenas de cidades, com foco no reforço dos sistemas de produção e distribuição.
Paralelamente, a Deso conduz obras estruturantes que totalizam R$ 458,3 milhões, alcançando aproximadamente 922 mil habitantes. Um dos principais projetos é a adutora do alto sertão, considerada estratégica para ampliar a segurança hídrica e prevista para ser concluída em 2026.
Na Região Metropolitana, intervenções nos sistemas de bombeamento e distribuição devem impactar mais de 910 mil pessoas. Já no interior, especialmente no sertão, as ações buscam reduzir a dependência de sistemas antigos e ampliar a oferta de água.
A Iguá Saneamento também destacou iniciativas de modernização, como a operação de um Centro de Controle Operacional capaz de monitorar cerca de 90% da distribuição, além da instalação de reservatórios e estações elevatórias. A expectativa é que, em até três anos, o estado alcance um abastecimento regular, com água disponível 24 horas por dia.
Com investimentos de longo prazo estimados em R$ 6,3 bilhões ao longo de 35 anos, o plano sinaliza uma transformação gradual do sistema hídrico sergipano, sustentada por tecnologia, planejamento e cobrança pública por resultados concretos.