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27 de maio de 2026 11:32

Ceará inaugura primeira biofábrica do país para produzir água de coco em pó

Ceará inaugura primeira biofábrica do país para produzir água de coco em pó

Unidade em Jaguaretama nasce de 41 anos de pesquisa da Uece e aposta no combate à fome proteica
Foto: Reprodução/Internet
O município de Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, receberá até o fim do primeiro semestre a primeira biofábrica industrial do Brasil voltada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos. A unidade, desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e operada pela ACP Nutrition, terá capacidade para processar diariamente cerca de 2 mil litros de matéria-prima.
O carro-chefe da fábrica será o ACP Lacte, composto nutricional obtido da combinação de água de coco em pó e leite de cabra. A água de coco em pó é produzida pelo processo de desidratação à vácuo do líquido endospérmico do coco, tecnologia desenvolvida nos laboratórios da Faculdade de Veterinária da Uece ao longo de quatro décadas. O produto concentra, em 100 gramas, 388 kcal, 76 g de carboidratos, 12 g de proteínas, 24 g de fibras alimentares, 5.170 mg de potássio e 492 mg de cálcio, sem gorduras trans e sem colesterol, segundo análises do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e do Centro de Qualidade em Alimentos (CQA), laboratórios referência da Anvisa.
O ACP Lacte foi concebido para atender populações em situação de vulnerabilidade nutricional, como crianças, idosos e pacientes hospitalizados, com foco no combate à fome proteica. A tecnologia é objeto de patente depositada em 2019 pelo grupo de pesquisa da Uece. As perspectivas de uso incluem ainda dieta líquida hospitalar, protocolo de jejum pré-operatório, merenda escolar e repositor hidroeletrolítico para atletas.
A implantação da biofábrica reúne parcerias com o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale). A escolha do município reflete sua tradição na caprinocultura, garantindo proximidade com a matéria-prima e integração com a agricultura familiar da região.
A trajetória da tecnologia começou em 1985, quando o professor emérito José Ferreira Nunes, da Favet/Uece, iniciou estudos com água de coco in natura para conservação de sêmen caprino e ovino. Em 1994, foi depositada a primeira patente biológica do Brasil na área. A primeira água de coco em pó foi produzida em 2002. O grupo acumula mais de 40 anos de pesquisa, 12 patentes registradas no INPI e aplicações que vão de cosméticos a conservação de órgãos para transplantes e cultivo de células-tronco.
Além do uso nutricional, estudos clínicos apontam resultados da linha ACP Derma no tratamento de feridas crônicas, incluindo casos de pé diabético, com redução do tempo de cicatrização. O desenvolvimento tecnológico passou pela Incubadora de Empresas da Uece, fortalecendo a conexão entre ciência, empreendedorismo e desenvolvimento regional.

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