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28 de maio de 2026 10:37

Minha Casa, Minha Vida responde por 64% dos lançamentos imobiliários no Nordeste

Minha Casa, Minha Vida responde por 64% dos lançamentos imobiliários no Nordeste

Dados do primeiro trimestre de 2026 mostram que programa habitacional é responsável por quase dois terços das unidades residenciais lançadas na região
Foto: Divulgação/Caixa
O programa Minha Casa, Minha Vida consolidou-se como motor do mercado imobiliário no Nordeste brasileiro no primeiro trimestre de 2026, respondendo por 64% das unidades residenciais lançadas na região. Os números, divulgados na segunda-feira (25/5) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com o SESI, posicionam o Nordeste como a região mais dependente do programa habitacional no país, superando a média nacional de 49%.
O levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais, realizado pela Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades — incluindo as 27 capitais e regiões metropolitanas —, revela que o Nordeste lidera a dependência do programa em termos absolutos, embora o Norte registre a maior participação percentual na oferta total de imóveis (52%). O Sul, por sua vez, apresenta a menor adesão, com apenas 17% dos lançamentos vinculados ao programa.
Para o vice-presidente Financeiro da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, os dados reforçam a importância da política pública na redução do déficit habitacional. “O Minha Casa, Minha Vida vem cumprindo o seu papel de tornar realidade o sonho da casa própria para milhões de brasileiros. Ao longo do tempo, vem se mostrando como grande impulsionador da indústria da construção, representando a metade do mercado imobiliário residencial”, avaliou.
Nacionalmente, o programa foi responsável pela comercialização de 54.510 unidades no período. No entanto, o cenário geral de lançamentos apresentou retração de 4,9% em comparação com o primeiro trimestre de 2025, totalizando 97.802 unidades. A queda é ainda mais acentuada — 32,1% — quando comparada ao quarto trimestre de 2025, período historicamente marcado por maior volume de lançamentos devido à sazonalidade do setor.
Apesar da retração nacional, o Nordeste segue como região estratégica para o programa. O vice-presidente de Habitações de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, destacou que a recente reformulação do Minha Casa, Minha Vida — que ampliou as faixas de renda e o valor máximo dos imóveis — tende a aumentar ainda mais a participação do programa no mercado. “Isso tem potencial de aumentar ainda mais a participação do programa no mercado imobiliário”, projetou.
O setor, no entanto, enfrenta desafios. Os efeitos inflacionários da crise do petróleo, provocada por tensões no Estreito de Ormuz, já pressionam os custos de construção. A iminente aprovação da PEC que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem contrapartidas de produtividade, além da incerteza sobre a regulamentação da Reforma Tributária, preocupam os empresários do setor.
“Precisamos dar um encaminhamento que não penalize tanto o setor”, alertou Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC e presidente executivo do SECOVI-SP, ressaltando que muitos contratos foram firmados sob as regras vigentes de jornada de 44 horas semanais. Para ele, a clareza tributária é fundamental para a transição do novo modelo.

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