
O Nordeste reúne condições para ampliar sua participação na economia digital brasileira, combinando energia renovável, infraestrutura de telecomunicações e formação de capital humano. Essa é a avaliação apresentada pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles, no estudo “Nordeste Digital: um projeto de futuro, uma entrega ao Brasil”, produzido pelo Banco Mundial para o Consórcio Nordeste, fórum que reúne os governadores dos nove estados da região.
No editorial do documento, Fonteles defende que a região pode atrair investimentos em data centers, infraestruturas críticas e indústrias de base tecnológica. Entre os diferenciais estão a capacidade de geração de energia eólica e solar, os custos competitivos e a localização geográfica, que favorece a conexão com os principais fluxos internacionais de dados. Para o governador, esses fatores posicionam o Nordeste como uma possível porta digital do país para o mercado global.
O estudo também destaca a infraestrutura já instalada. A região conta com mais de 15 cabos submarinos de comunicação que chegam a Fortaleza, além do Cinturão Digital do Ceará. Entre 2020 e 2024, os investimentos em redes de fibra óptica superaram R$ 8 bilhões, segundo os dados apresentados no relatório. O documento registra ainda mais de 50 mil escolas conectadas à internet de alta velocidade.
Energia e atração de investimentos
A disponibilidade de fontes renováveis aparece como um dos principais argumentos para a instalação de data centers, estruturas que demandam grande quantidade de energia. O relatório cita investimentos anunciados pela Amazon Web Services (AWS), superiores a R$ 10 bilhões, para estabelecer data centers sustentáveis abastecidos por energia eólica.
De acordo com o estudo, o uso de energia renovável pode reduzir entre 40% e 50% os custos operacionais dessas instalações em comparação com regiões dependentes de fontes térmicas. Sistemas de resfriamento adaptados às condições locais também podem diminuir o consumo energético em até 40%.
Além da infraestrutura, Fonteles ressalta a presença de universidades, institutos federais, centros de pesquisa e startups. Na avaliação do governador, a formação de profissionais e o desenvolvimento de soluções tecnológicas são fundamentais para transformar as vantagens naturais da região em oportunidades econômicas.
O relatório organiza essa estratégia em cinco eixos estruturantes, que abrangem infraestrutura digital, serviços públicos inteligentes, capital humano, governança institucional e inovação produtiva. A proposta é articular investimentos e políticas públicas para ampliar a competitividade regional e reduzir desigualdades.
Cooperação e planejamento
A elaboração do documento decorre de uma parceria entre o Consórcio Nordeste e o Banco Mundial, formalizada por memorando de entendimento em 2023. Para Fonteles, a cooperação pode fortalecer a capacidade dos estados de estruturar projetos, mobilizar recursos e alinhar políticas às práticas internacionais.
O governador também defende que o Nordeste seja reconhecido pelo governo federal como parceiro estratégico na formulação de uma política nacional de transformação digital. A intenção é converter o diagnóstico em investimentos coordenados, geração de empregos e ampliação do acesso à tecnologia, com inclusão social e desenvolvimento sustentável.