
A ferrovia Transnordestina ganha nova fase de expansão no Ceará com previsão de entrega do trecho até Quixadá para o segundo semestre deste ano. Em paralelo, o avanço da malha ferroviária impulsiona o megaprojeto do Parque de Tancagem do Grupo Dislub Equador no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), que já acumula nove contratos firmados e investimento de R$ 640 milhões.
Em fala durante o fórum Cresce Ceará, na semana passada, o diretor comercial da Transnordestina Logística S.A., Alex Trevisan, detalhou o cronograma das obras. O trecho até Acopiara já está concluído e operacional, enquanto a fase de superestrutura entre Acopiara e Quixeramobim —com colocação de dormentes, brita e trilhos— deve ser finalizada em cerca de 40 dias. Após vistoria da ANTT e licenciamento do Ibama, estimado em dois a três meses, o trecho estará operacional até Quixeramobim. O lote seguinte, até Quixadá, tem entrega prevista para o final de 2026, e o trecho de Quixadá a Itapiuna deve ser concluído no início de 2027.
Trevisan reforçou o compromisso de entrega da ferrovia completa até o Pecém até o último trimestre de 2027. “A gente precisa chegar o quanto antes em Pecém para gerar possibilidades de fluxo de transporte e fazer com que a economia cresça”, afirmou o diretor, destacando a importância do modal ferroviário para o desenvolvimento regional.
A expansão da Transnordestina converge diretamente com os planos do Grupo Dislub Equador, cujo Parque de Tancagem no CIPP será interligado logisticamente à ferrovia. Com capacidade projetada de 240 mil m³, o empreendimento —que deve começar a operar no primeiro trimestre de 2027— já firmou contratos com Petrobras, Acelen, Transnordestina, Gambor, PetroReconcavo, Ale Combustíveis, Inpasa, Binatural e Vitol.
O CEO Marcelo Campos Magalhães destacou o acordo com a PetroReconcavo para escoamento e exportação de petróleo produzido no Rio Grande do Norte. “Vai além da mera distribuição de combustíveis, permite também o escoamento e a exportação de petróleo produzido no Nordeste”, explicou em entrevista ao Diário do Nordeste. O terminal terá capacidade de expedição de 1.500 caminhões por dia, 35 km de dutovias, operação alfandegada e interação rodoferroviária.
O vice-presidente Beto Carrilho projeta que o parque, inicialmente o terceiro maior do Norte e Nordeste, pode se tornar o primeiro da região com expansões futuras. O empreendimento irá abastecer o Ceará e parcelas significativas do Rio Grande do Norte (37%), Piauí (35%), Paraíba (10%) e Pernambuco (4%), alcançando 400 municípios e um mercado de mais de 4 bilhões de litros anuais. As obras, iniciadas em 2025, já geraram mais de mil empregos diretos, com expectativa de 100 postos permanentes após a conclusão.