Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
25 de maio de 2026 13:49

Trens e companhia aérea estatal reacendem debate sobre mobilidade no Nordeste

Trens e companhia aérea estatal reacendem debate sobre mobilidade no Nordeste

A possível criação de uma companhia aérea estatal nordestina surge em meio ao crescimento de 5,9% no fluxo aéreo regional em 2025 e ao risco de fusões no setor, enquanto o governo estuda ampliar a conectividade com trens de passageiros entre capitais
Foto: Divulgação

O Nordeste volta ao centro das discussões sobre mobilidade e integração regional. Duas propostas em estudo pelo governo federal e pelo Consórcio Nordeste apontam para a mesma direção: reduzir distâncias, impulsionar o turismo e fortalecer a economia regional. De um lado, o projeto de uma rede ferroviária de passageiros que teria como ponto de partida o trecho de 110 quilômetros entre Recife (PE) e João Pessoa (PB). De outro, a possibilidade de criação de uma companhia aérea estatal nordestina, dedicada a operar rotas regionais pouco exploradas pelas grandes companhias.

O projeto ferroviário faz parte do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), coordenado pelo Ministério dos Transportes e pela Infra S.A. Segundo o presidente da estatal, Jorge Bastos, a ligação entre Recife e João Pessoa foi escolhida por ser a menor distância entre as capitais nordestinas, o que aumenta as chances de viabilidade. A expectativa é que, caso se mostre eficiente, o trem seja estendido até Maceió (AL) e Natal (RN), criando um eixo de integração entre quatro estados.

Além de atender ao fluxo cotidiano de passageiros, a ferrovia tem potencial para alavancar o turismo interestadual, estimular economias locais e reduzir a pressão sobre o transporte rodoviário, historicamente marcado por estradas saturadas e acidentes.

Em paralelo, o Ministério do Turismo e o Consórcio Nordeste articulam a criação de uma companhia aérea estatal voltada exclusivamente para a região. A proposta surge em um momento em que a aviação regional brasileira encolhe. A nova empresa teria como missão ocupar esse espaço, conectando cidades do interior às capitais e ampliando a malha aérea para destinos turísticos menos acessíveis.

O projeto encontra incentivos na própria região. Empresas instaladas na área da Sudene podem obter até 75% de redução no Imposto de Renda, e estados como Pernambuco já oferecem alíquotas menores de ICMS sobre combustível. Além disso, a modernização de aeroportos como os de Recife, Salvador, Fortaleza e Maceió fortalece as condições para uma malha aérea mais densa e competitiva.

Embora distintos, os dois projetos se complementam. O trem regional pode oferecer tarifas mais acessíveis em trajetos curtos e médios, enquanto a companhia aérea teria capacidade de encurtar distâncias maiores, conectando capitais e cidades turísticas a hubs nacionais e internacionais. Ambos são estratégicos para descentralizar a mobilidade, hoje concentrada em grandes centros do Sudeste.

Especialistas, no entanto, apontam diferenças de viabilidade. A aviação exige investimentos altos e gestão eficiente, mas encontra infraestrutura relativamente consolidada. Já o trem, embora promissor e ambientalmente sustentável, depende de pesados investimentos iniciais em trilhos e estações, além de um modelo operacional de longo prazo.

“O trem pode ser a espinha dorsal da integração curta e média distância, com tarifas acessíveis e impacto ambiental reduzido. Já a malha aérea preenche o vazio das longas distâncias e conecta o Nordeste a hubs nacionais e internacionais. Juntos, os dois projetos representam um salto estratégico: transformar a mobilidade em motor de desenvolvimento econômico e turístico para milhões de nordestinos”, disse Tufi Daher Filho, diretor-presidente da Transnordestina Logística.

Impacto para turismo e economia

A movimentação nos dez principais aeroportos nordestinos já ultrapassou os níveis pré-pandemia: foram mais de 12 milhões de passageiros nos quatro primeiros meses de 2025, segundo a Anac. Esse cenário demonstra o potencial do setor aéreo para acelerar a retomada do turismo. Por outro lado, uma rede ferroviária estruturada pode oferecer um transporte de massa estável e complementar, especialmente entre capitais próximas.

Ao reacender o debate, o governo federal e o Consórcio Nordeste sinalizam que investir em mobilidade é investir no próprio futuro da região. Seja sobre trilhos ou pelos ares, a meta é a mesma: transformar a geografia em oportunidade, ampliando a integração, a competitividade e a qualidade de vida de milhões de nordestinos.

George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, afirmou em evento do Valor Econômico, que o governo federal aposta na ampliação da rede ferroviária nordestina para dinamizar a economia da região. Segundo ele, pelo menos R$ 60 bilhões em investimentos estão previstos em ferrovias que beneficiarão o setor produtivo do Nordeste. 

Ele citou como exemplo a criação de um corredor logístico interligando o Centro-Oeste ao Porto do Sul, em Ilhéus (BA), por meio da conexão da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

👆

Assine a newsletter
do Investindo por aí!

 

Gostou desse artigo? compartilhe!

Últimas

Transnordestina
obras no Maranhão
segurança pública (1)
Fórum na Bahia
paraíba
Piracanjuba
obras no piauí
UFRN
obras no ceará
bahia origem week

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#pf-content img.pf-large-image.pf-primary-img.flex-width.pf-size-full.mediumImage{ display:none !important; }