
Uma solução que combina inteligência artificial, gêmeo digital e uma plataforma de apoio à decisão foi reconhecida internacionalmente por propor novas formas de preservar a operação de aeroportos durante crises. Desenvolvido por Gabriel Marcos de Morais Silva, coordenador de Operações e Resposta a Emergências do Aeroporto Internacional do Recife, o projeto recebeu o Young Professional Award 2026, concedido pelo Conselho Internacional de Aeroportos para América Latina e Caribe (ACI-LAC).
O reconhecimento ocorreu durante a WAGA 2026, em Lima, no Peru, evento promovido pelo ACI-LAC e pelo ACI World. O projeto “Além da Recuperação – Plano prático de resiliência operacional diante de ataque cibernético” ainda está em fase de estudos e não foi implantado.
Um dos principais componentes é o Gêmeo Digital Operacional, representação virtual da infraestrutura e da dinâmica do aeroporto. A tecnologia permitiria simular os efeitos de uma indisponibilidade antes da definição das medidas de resposta. Em caso de falha de sistemas, interdição de parte da pista ou indisponibilidade de uma ponte de embarque, por exemplo, o recurso poderia indicar quais voos seriam afetados, quantos passageiros sofreriam impactos e quais alternativas estariam disponíveis.
A partir dessas informações, gestores poderiam avaliar diferentes cenários, como remanejamento de estruturas, cancelamento de voos ou o tempo máximo de manutenção de determinada área indisponível sem provocar consequências em cadeia.
A proposta inclui ainda uma plataforma dinâmica para orientar profissionais durante a emergência. Em vez de recorrer a diferentes documentos e fluxogramas, os responsáveis pela resposta teriam acesso, em sequência, às decisões e procedimentos necessários. A ferramenta indicaria a etapa seguinte conforme cada decisão fosse tomada.
O projeto estabelece como referência a recuperação de funções críticas em até 72 horas e a manutenção de 90% da continuidade operacional em modo degradado.
Embora tenha como cenário inicial os ataques cibernéticos, a solução pretende ser adaptável a diferentes crises. A proposta também ganha relevância diante da crescente presença da inteligência artificial nos aeroportos, que amplia a eficiência das operações, mas cria novas necessidades de proteção e preparação.
Os próximos passos ainda estão em discussão. A solução poderá, em princípio, ser adaptada a outros aeroportos, combinando tecnologia, processos e capacitação profissional para reduzir o tempo de resposta e limitar os impactos sobre passageiros e operações.