
Uma startup incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolve uma tecnologia para diminuir o impacto do ruído de aerogeradores dentro das residências. Criada em abril, a Jupitera trabalha no PER (Perturbador de Envelope Rítmico), dispositivo eletrônico que processa sinais sonoros em tempo real. O primeiro equipamento deve ficar pronto em cerca de nove meses.
O projeto conquistou o primeiro lugar no Concurso Ideias Inovadoras, em Salvador, e rendeu R$ 10 mil à empresa. A disputa, promovida pela incubadora Desavexe, vinculada ao Cepedi e ao Hub Salvador, recebeu 101 propostas de 11 estados. A Jupitera ficou entre os dez finalistas do Pitch Final/Demoday, em 30 de setembro. Na primeira fase, somou 92 pontos em 100, quando o corte era de 70.
A solução nasceu de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Inovação e Sustentabilidade (Propgis) da UFRN. O PER age sobre a modulação de amplitude do ruído, o componente rítmico associado ao movimento das pás. Em vez de intervir na turbina, será instalado onde o som é recebido, principalmente nos quartos de casas próximas a parques eólicos, para reduzir o incômodo durante o sono.
O protótipo está em simulações e testes de bancada, e a empresa pretende depois testar com pessoas. A tecnologia passa ainda por proteção intelectual, com pedido de patente em cotitularidade com a UFRN.
“Foi uma experiência incrível, entre mais de 100 startups, após várias etapas, ser contemplado com o primeiro lugar. Isso chancela muito o caminho que a gente vem seguindo”, afirmou Felipe Neves, pesquisador e fundador da Jupitera.
A startup foi selecionada para o Programa Capital Empreendedor, do Sebrae, e apresentará o projeto na Alemanha, de 7 a 9 de outubro, no Halle-Symposium Social Science in the Energy System Transformation. Os próximos passos são concluir o protótipo, validar com usuários e garantir a propriedade intelectual antes de chegar ao mercado.