
Um investimento de mais de R$ 200 bilhões está colocando o Ceará diante de um novo ciclo de desenvolvimento que vai muito além dos data centers. A chegada da ByteDance ao Complexo do Pecém cria uma demanda por energia renovável, infraestrutura, conectividade e mão de obra qualificada e começa a movimentar uma cadeia de negócios que alcança fornecedores, serviços e o mercado imobiliário da Região Metropolitana de Fortaleza.
Para o Governo do Ceará, o empreendimento pode funcionar como âncora para atrair empresas de inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais, além de impulsionar investimentos em municípios como Fortaleza, Caucaia e São Gonçalo do Amarante, que já começam a se preparar para novas demandas por moradia, mobilidade, comércio e serviços.
O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, avalia que o projeto da ByteDance/TikTok pode funcionar como uma âncora para a formação de uma cadeia econômica mais ampla no Estado. Além do data center, a implantação do empreendimento deve estimular investimentos em geração de energia renovável, transmissão, conectividade, construção, engenharia e fornecedores locais. Em uma segunda etapa, a expectativa é atrair atividades ligadas à inteligência artificial, computação em nuvem, software, pesquisa e desenvolvimento e outros segmentos intensivos em conhecimento.
“O projeto da ByteDance/TikTok é importante pelo seu tamanho, mas seu maior valor estratégico é a capacidade de funcionar como âncora para uma cadeia econômica muito maior. Não queremos apenas armazenar e processar dados no Ceará. Queremos desenvolver conhecimento, tecnologia e novos negócios a partir dessa infraestrutura”, afirma Feijó.
Segundo o secretário, o investimento de longo prazo anunciado, estimado em R$ 200 bilhões, também deve gerar efeitos econômicos fora da área incentivada da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), especialmente pela necessidade de ampliar a geração renovável, a transmissão de energia e a infraestrutura de conectividade entre Fortaleza e o Complexo do Pecém. Essas atividades devem movimentar fornecedores e gerar arrecadação nas operações realizadas fora do perímetro de incentivos da ZPE.
Feijó afirma que o governo estadual busca antecipar os impactos territoriais dos novos empreendimentos, em vez de esperar que o aumento da demanda por moradia, mobilidade e serviços apareça para então buscar soluções. O Estado já trabalha em conjunto com São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Paracuru e Fortaleza, com apoio de equipes do Programa Cientista-Chefe, para analisar cenários de crescimento e orientar o planejamento urbano.
“Mais importante do que esperar essa pressão aparecer é antecipá-la. Os investimentos que estão sendo estruturados para o Complexo do Pecém nos permitem olhar hoje para o território que precisaremos ter daqui a dez ou vinte anos”, destaca.

A estratégia, segundo Feijó, parte de uma visão integrada do território, considerando que os trabalhadores e moradores não estão limitados às fronteiras administrativas dos municípios. Por isso, o planejamento deve considerar conjuntamente questões como habitação, escolas, saúde, saneamento, mobilidade, comércio, serviços e áreas de lazer, formando uma região econômica funcional em torno do Pecém e conectada à Região Metropolitana de Fortaleza.
Para Feijó, preparar o território para os novos investimentos exige atuar simultaneamente na infraestrutura física e na formação profissional. Além de energia, transmissão e conectividade, o Estado precisa ampliar a oferta de técnicos, engenheiros e profissionais ligados à tecnologia e à economia digital. A proximidade entre moradia e emprego também é apontada como um fator de competitividade, ao reduzir deslocamentos, facilitar a retenção de talentos e estimular a circulação da renda nos municípios.
“Na economia do conhecimento, não basta oferecer terreno, energia e incentivos. As empresas precisam encontrar pessoas altamente qualificadas, e essas pessoas precisam querer viver naquele território. Por isso, qualidade de vida também é infraestrutura econômica”, menciona.
A iniciativa, explica o secretário, busca criar um ciclo em que os investimentos em infraestrutura atraiam empresas, os empreendimentos gerem empregos e a oferta de qualidade de vida contribua para atrair e reter profissionais qualificados. Com isso, a concentração de talentos e novos negócios poderia ampliar novamente a capacidade do Ceará de atrair investimentos.
“O que estamos buscando construir é um círculo virtuoso, no qual a infraestrutura atrai investimento; investimento gera empregos; empregos atraem e formam talentos; qualidade de vida ajuda a reter esses talentos; e a concentração de talentos aumenta novamente a capacidade de atrair investimentos. É um ganha-ganha que transforma crescimento econômico em desenvolvimento territorial”, conclui.