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8 de outubro de 2026 18:31

Nova edição do Mulheres do Agro ampara crescimento da atuação feminina no setor em Alagoas

Nova edição do Mulheres do Agro ampara crescimento da atuação feminina no setor em Alagoas

Iniciativa reúne profissionais da Comunicação e abre programação que busca fortalecer conexões e oportunidades para mulheres que atuam no campo
Foto: Tatyane Barbosa

A Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas lançou, na quarta-feira (7), em Maceió, a 4ª edição do Mulheres do Agro, iniciativa que reúne profissionais e representantes do setor para fortalecer a participação feminina no campo e ampliar conexões e oportunidades no agronegócio.

O lançamento reuniu profissionais da Comunicação e marcou o início das atividades da programação, promovida por esse comitê, criado pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com apoio e participação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL).

Segundo dados apresentados pela Comissão, o estado possui cerca de 98 mil estabelecimentos rurais, entre formais e informais. Desse total, aproximadamente 24 mil, o equivalente a 24,6%, contam com participação feminina na gestão. No âmbito das unidades familiares cadastradas no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), a presença das mulheres supera a dos homens. Em agosto de 2026, 90,2 mil mulheres integravam essas unidades em Alagoas, representando 51,9% das 174 mil pessoas registradas, enquanto a participação masculina correspondia a 48,1%.

A presença feminina também aparece nos programas de assistência técnica e gerencial desenvolvidos no estado. Entre 2025 e 2026, cerca de 1.442 propriedades geridas por mulheres foram atendidas pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Das 15 cadeias produtivas contempladas pelo programa, 13 registraram participação feminina. Entre as atividades com maior número de propriedades geridas por mulheres estão a olericultura, com 356; a fruticultura perene, com 210; a bovinocultura de leite, com 177; a ovinocaprinocultura de corte, com 165; a suinocultura, com 155; e a piscicultura, com 100. Juntas, essas seis cadeias concentram 80,6% da participação feminina nos atendimentos.

A atuação da ATeG alcança diferentes regiões de Alagoas por meio da parceria entre o Senar e o Sebrae/AL. O programa está presente em 84 dos 102 municípios alagoanos. Entre os municípios com maior participação feminina nos atendimentos estão Murici, com 44,4%; Quebrangulo, com 37,9%; Girau do Ponciano, com 36,7%; e Palmeira dos Índios, com 35,8%.

Além da assistência à produção, ações voltadas à saúde também fazem parte das iniciativas direcionadas às mulheres do campo. Desde 2016, os programas Saúde no Campo e Saúde da Mulher Rural já atenderam mais de 8.800 mulheres em 40 municípios de Alagoas.

Para o presidente da Faeal e do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, a articulação entre as entidades tem sido fundamental para ampliar o alcance das ações voltadas ao setor. Segundo ele, a parceria com o Sebrae permite reunir diferentes segmentos e levar as iniciativas a diversas regiões do estado. Álvaro também destacou a participação de Alagoas em projetos nacionais voltados aos produtores rurais, incluindo ações de assistência em saúde por meio da telemedicina. “Alagoas entrou nesse projeto e foi privilegiado. É um orgulho dizer que o nosso estado está entre os primeiros a participar”.

Foto: Tatyane Barbosa

A diretora administrativa e financeira do Sebrae Alagoas e representante do estado na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Juliana Almeida, ressaltou a importância de dar visibilidade às trajetórias das produtoras rurais. Produtora rural e advogada, ela afirmou que a aproximação com essas mulheres permite conhecer histórias de transformação que acontecem dentro das propriedades e que, muitas vezes, permanecem pouco conhecidas fora do campo.

“Eu tenho o maior orgulho de dizer que sou produtora rural. É uma oportunidade de dar visibilidade a outras mulheres que não tiveram a possibilidade de chegar até suas casas e mostrar que a assistência fez diferente”, disse.

Ela também citou o impacto da atuação conjunta das entidades na melhoria da gestão e na apresentação dos produtos rurais. Segundo Juliana, quando a mulher passa a gerar resultados para a propriedade, a própria família reconhece esse trabalho e amplia o apoio às atividades desenvolvidas por ela.

Na avaliação do diretor-técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, o fortalecimento da participação feminina está diretamente relacionado ao desenvolvimento do próprio campo. Ele destacou que, em diferentes propriedades, atividades conduzidas pelas mulheres passaram a gerar resultados que despertaram o interesse e o apoio dos demais integrantes da família. “Não se trata de uma questão de gênero, mas da força do trabalho. Apoiar as mulheres do agro é apoiar o campo propriamente dito”.

Keylle também defendeu uma maior aproximação entre a imprensa e as propriedades rurais para revelar a diversidade da produção alagoana. Para ele, o estado possui experiências que vão além das atividades tradicionalmente associadas ao agronegócio e que podem mostrar novas possibilidades de geração de emprego e renda. “Vamos juntos conhecer cada história do campo. Vocês vão ver histórias belíssimas para além daquilo que existe na atividade da indústria e do comércio”.

Entre as iniciativas citadas durante o lançamento está a ampliação do acesso à saúde por meio da telemedicina. A gerente-técnica do Senar Alagoas, Graziela Freitas, explicou que 15 grupos do estado já participam da iniciativa desenvolvida em parceria com a CNA e o Hospital Israelita Albert Einstein. Os produtores têm acesso remoto a diferentes especialidades médicas, e os técnicos de campo já receberam treinamento para auxiliar nos atendimentos.

“É uma conquista muito grande para o Senar junto com a CNA, e Alagoas está nesse início com esses 15 grupos. No próximo ano, iniciaremos outros 15 grupos também nessa parceria com o Einstein”, explicou.

Presidente do Sindicato Patronal de Junqueiro, integrante da estrutura da Federação há cerca de oito anos e membro da Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas, Morgana Tavares destacou a evolução da presença feminina nos espaços de decisão do setor. Ela lembrou que, durante boa parte desse período, foi a única mulher entre os integrantes da Federação, mas afirmou que sempre encontrou espaço para participar e ser ouvida.

“Nunca me senti desrespeitada ou deixada de lado. Sempre fui ouvida, e tudo isso graças ao respeito, à sensibilidade e à confiança que o nosso presidente tem no olhar de cada mulher, principalmente da mulher do agro de Alagoas”, ressaltou.

Foto: Tatyane Barbosa

Para ela, o crescimento da Comissão das Mulheres do Agro é resultado da união entre suas integrantes e tem a produtora rural como principal protagonista. “A cada ano, a gente vem fortalecendo a mulher no agronegócio do nosso estado e superando as nossas expectativas”, disse.

A 4ª edição do Mulheres do Agro será realizada no dia 28 de outubro, das 8h às 14h, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), em Maceió. No dia seguinte, 29 de outubro, será realizado o “Dia no Campo”, com uma programação externa que levará os participantes a entidades do interior de Alagoas que apoiam a causa, com retorno à capital ao final do dia.

Atuação voltada à liderança feminina no campo

Criada em outubro de 2023, a Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas atua para ampliar a presença feminina nos espaços de liderança e decisão do agronegócio alagoano. A iniciativa busca fortalecer a representatividade das produtoras rurais, incentivar a participação das mulheres no sistema sindical e desenvolver novas lideranças para o setor, além de promover ações sociais, educativas e sustentáveis no meio rural.

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