
A Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas lançou, na quarta-feira (7), em Maceió, a 4ª edição do Mulheres do Agro, iniciativa que reúne profissionais e representantes do setor para fortalecer a participação feminina no campo e ampliar conexões e oportunidades no agronegócio.
O lançamento reuniu profissionais da Comunicação e marcou o início das atividades da programação, promovida por esse comitê, criado pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com apoio e participação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL).
Segundo dados apresentados pela Comissão, o estado possui cerca de 98 mil estabelecimentos rurais, entre formais e informais. Desse total, aproximadamente 24 mil, o equivalente a 24,6%, contam com participação feminina na gestão. No âmbito das unidades familiares cadastradas no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), a presença das mulheres supera a dos homens. Em agosto de 2026, 90,2 mil mulheres integravam essas unidades em Alagoas, representando 51,9% das 174 mil pessoas registradas, enquanto a participação masculina correspondia a 48,1%.
A presença feminina também aparece nos programas de assistência técnica e gerencial desenvolvidos no estado. Entre 2025 e 2026, cerca de 1.442 propriedades geridas por mulheres foram atendidas pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Das 15 cadeias produtivas contempladas pelo programa, 13 registraram participação feminina. Entre as atividades com maior número de propriedades geridas por mulheres estão a olericultura, com 356; a fruticultura perene, com 210; a bovinocultura de leite, com 177; a ovinocaprinocultura de corte, com 165; a suinocultura, com 155; e a piscicultura, com 100. Juntas, essas seis cadeias concentram 80,6% da participação feminina nos atendimentos.
A atuação da ATeG alcança diferentes regiões de Alagoas por meio da parceria entre o Senar e o Sebrae/AL. O programa está presente em 84 dos 102 municípios alagoanos. Entre os municípios com maior participação feminina nos atendimentos estão Murici, com 44,4%; Quebrangulo, com 37,9%; Girau do Ponciano, com 36,7%; e Palmeira dos Índios, com 35,8%.
Além da assistência à produção, ações voltadas à saúde também fazem parte das iniciativas direcionadas às mulheres do campo. Desde 2016, os programas Saúde no Campo e Saúde da Mulher Rural já atenderam mais de 8.800 mulheres em 40 municípios de Alagoas.
Para o presidente da Faeal e do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, a articulação entre as entidades tem sido fundamental para ampliar o alcance das ações voltadas ao setor. Segundo ele, a parceria com o Sebrae permite reunir diferentes segmentos e levar as iniciativas a diversas regiões do estado. Álvaro também destacou a participação de Alagoas em projetos nacionais voltados aos produtores rurais, incluindo ações de assistência em saúde por meio da telemedicina. “Alagoas entrou nesse projeto e foi privilegiado. É um orgulho dizer que o nosso estado está entre os primeiros a participar”.

A diretora administrativa e financeira do Sebrae Alagoas e representante do estado na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Juliana Almeida, ressaltou a importância de dar visibilidade às trajetórias das produtoras rurais. Produtora rural e advogada, ela afirmou que a aproximação com essas mulheres permite conhecer histórias de transformação que acontecem dentro das propriedades e que, muitas vezes, permanecem pouco conhecidas fora do campo.
“Eu tenho o maior orgulho de dizer que sou produtora rural. É uma oportunidade de dar visibilidade a outras mulheres que não tiveram a possibilidade de chegar até suas casas e mostrar que a assistência fez diferente”, disse.
Ela também citou o impacto da atuação conjunta das entidades na melhoria da gestão e na apresentação dos produtos rurais. Segundo Juliana, quando a mulher passa a gerar resultados para a propriedade, a própria família reconhece esse trabalho e amplia o apoio às atividades desenvolvidas por ela.
Na avaliação do diretor-técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, o fortalecimento da participação feminina está diretamente relacionado ao desenvolvimento do próprio campo. Ele destacou que, em diferentes propriedades, atividades conduzidas pelas mulheres passaram a gerar resultados que despertaram o interesse e o apoio dos demais integrantes da família. “Não se trata de uma questão de gênero, mas da força do trabalho. Apoiar as mulheres do agro é apoiar o campo propriamente dito”.
Keylle também defendeu uma maior aproximação entre a imprensa e as propriedades rurais para revelar a diversidade da produção alagoana. Para ele, o estado possui experiências que vão além das atividades tradicionalmente associadas ao agronegócio e que podem mostrar novas possibilidades de geração de emprego e renda. “Vamos juntos conhecer cada história do campo. Vocês vão ver histórias belíssimas para além daquilo que existe na atividade da indústria e do comércio”.
Entre as iniciativas citadas durante o lançamento está a ampliação do acesso à saúde por meio da telemedicina. A gerente-técnica do Senar Alagoas, Graziela Freitas, explicou que 15 grupos do estado já participam da iniciativa desenvolvida em parceria com a CNA e o Hospital Israelita Albert Einstein. Os produtores têm acesso remoto a diferentes especialidades médicas, e os técnicos de campo já receberam treinamento para auxiliar nos atendimentos.
“É uma conquista muito grande para o Senar junto com a CNA, e Alagoas está nesse início com esses 15 grupos. No próximo ano, iniciaremos outros 15 grupos também nessa parceria com o Einstein”, explicou.
Presidente do Sindicato Patronal de Junqueiro, integrante da estrutura da Federação há cerca de oito anos e membro da Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas, Morgana Tavares destacou a evolução da presença feminina nos espaços de decisão do setor. Ela lembrou que, durante boa parte desse período, foi a única mulher entre os integrantes da Federação, mas afirmou que sempre encontrou espaço para participar e ser ouvida.
“Nunca me senti desrespeitada ou deixada de lado. Sempre fui ouvida, e tudo isso graças ao respeito, à sensibilidade e à confiança que o nosso presidente tem no olhar de cada mulher, principalmente da mulher do agro de Alagoas”, ressaltou.

Para ela, o crescimento da Comissão das Mulheres do Agro é resultado da união entre suas integrantes e tem a produtora rural como principal protagonista. “A cada ano, a gente vem fortalecendo a mulher no agronegócio do nosso estado e superando as nossas expectativas”, disse.
A 4ª edição do Mulheres do Agro será realizada no dia 28 de outubro, das 8h às 14h, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), em Maceió. No dia seguinte, 29 de outubro, será realizado o “Dia no Campo”, com uma programação externa que levará os participantes a entidades do interior de Alagoas que apoiam a causa, com retorno à capital ao final do dia.
Atuação voltada à liderança feminina no campo
Criada em outubro de 2023, a Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas atua para ampliar a presença feminina nos espaços de liderança e decisão do agronegócio alagoano. A iniciativa busca fortalecer a representatividade das produtoras rurais, incentivar a participação das mulheres no sistema sindical e desenvolver novas lideranças para o setor, além de promover ações sociais, educativas e sustentáveis no meio rural.