
O governo federal avalia a implantação de uma rede ferroviária de passageiros capaz de conectar as nove capitais nordestinas e outros importantes centros urbanos da região. Em fase inicial, os estudos conduzidos pela Infra S.A. vão analisar a infraestrutura ferroviária existente, alternativas de traçado, demanda potencial e os investimentos necessários para viabilizar a conexão.
A proposta, coordenada pelo Ministério dos Transportes, tem como referência inicial o eixo Salvador (BA)-São Luís (MA) e poderá considerar adequações na malha atualmente disponível. Ainda sem cronograma, estimativa de demanda ou definição sobre fontes de financiamento e eventual necessidade de subsídios, a iniciativa busca avaliar a viabilidade de uma futura rede de trens de passageiros no Nordeste.
Procurado, o Ministério dos Transportes informou que avalia a possibilidade de implantação de uma conexão ferroviária de passageiros entre os nove estados do Nordeste, ligando capitais e importantes centros urbanos da região. Segundo a pasta, os estudos buscam subsidiar a estruturação de um futuro chamamento público para dar destinação estratégica à malha ferroviária nordestina que se encontra em processo de devolução.
De acordo com o Ministério, como a iniciativa ainda está em fase inicial de discussão técnica, não há, neste momento, cronograma definido nem estimativas de demanda, investimentos ou eventual necessidade de subsídios públicos para a implantação e operação do serviço.
O engenheiro civil e especialista em Engenharia Rodoviária, Marcel Barbosa, frisa que uma malha ferroviária conectando as capitais nordestinas poderia ampliar a competitividade logística da região ao oferecer uma alternativa ao transporte rodoviário, especialmente para cargas de maior volume. Além de reduzir a dependência das rodovias e desafogar outros modais, a integração ferroviária poderia diminuir custos e tornar o transporte de mercadorias mais seguro e eficiente.

“Uma malha ferroviária interligando as capitais nordestinas traria um enorme ganho logístico, principalmente pela possibilidade de distribuir bens e mercadorias com mais segurança e a um custo inferior ao praticado atualmente. A alternativa de modais favorece a competitividade e ajuda a desafogar o transporte rodoviário”, afirma.
Segundo o especialista, para que esse potencial seja plenamente aproveitado, a expansão ferroviária deveria estar integrada aos principais pontos de entrada, saída e distribuição de cargas da região. A conexão entre portos, aeroportos e centros industriais permitiria criar uma rede logística mais articulada, capaz de atender também ao crescimento do comércio eletrônico e à demanda por entregas em diferentes mercados.
“A malha ferroviária precisa ser pensada como parte de uma rede integrada, com conexão entre portos, aeroportos e centros industriais. Dessa forma, o modal ferroviário pode contribuir não apenas para o transporte de cargas, mas para uma logística regional mais eficiente e competitiva”, explica.