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8 de outubro de 2026 18:31

Caatinga guarda fungos com potencial para transformar o controle de doenças agrícolas

Caatinga guarda fungos com potencial para transformar o controle de doenças agrícolas

Pesquisa da Embrapa identifica fungos com potencial para desenvolver biofungicidas mais adaptados ao calor e à escassez de água
Foto: Divulgação

Fungos que sobrevivem naturalmente ao calor intenso e à escassez de água da Caatinga podem se tornar aliados da agricultura no Semiárido. Uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou microrganismos com potencial para combater doenças agrícolas e, no futuro, dar origem a biofungicidas mais adaptados às condições climáticas da região.

O estudo identificou 14 isolados de cinco espécies de Trichoderma, coletados em áreas de vegetação nativa e em plantações irrigadas de melão na Bahia e no Piauí. Os resultados abrem uma frente de investigação sobre o uso da biodiversidade microscópica da Caatinga para desenvolver bioinsumos capazes de contribuir para uma agricultura mais sustentável e preparada para o calor e a irregularidade das chuvas.

O pesquisador Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente, explica que um dos principais diferenciais dos fungos estudados está justamente na origem: por serem provenientes da Caatinga, esses microrganismos já estão adaptados às condições de calor e baixa disponibilidade de água características do Semiárido. No estudo, alguns isolados de Trichoderma demonstraram capacidade de combater fungos causadores de doenças agrícolas e também de produzir grandes quantidades de esporos, característica importante para o desenvolvimento de biofungicidas. A pesquisa avaliou 14 isolados do gênero, coletados em áreas de vegetação nativa e em plantações de melão na Bahia e no Piauí.

“Esses fungos são nativos da Caatinga e já estão adaptados às condições ambientais do Semiárido, como temperaturas elevadas e períodos de baixa disponibilidade de água. Isso abre a possibilidade de desenvolver biofungicidas mais adaptados às condições de calor da região”, afirma Mascarin.

A transformação desses microrganismos em uma tecnologia disponível aos agricultores, porém, ainda depende de novas etapas de pesquisa. Segundo o pesquisador, os próximos trabalhos devem selecionar os isolados que reúnam o melhor conjunto de características, além de aperfeiçoar a produção e a formulação dos fungos e realizar testes em campo. Também será necessário avaliar aspectos como segurança, eficiência e estabilidade antes que uma eventual tecnologia possa chegar ao mercado. A experiência de Mascarin inclui justamente pesquisas voltadas à produção massal, formulação, estabilização e armazenamento de microrganismos para bioinsumos.

Foto: Divulgação

“A gente ainda precisa passar por uma série de etapas até chegar a uma tecnologia que possa ser utilizada pelos agricultores. É necessário selecionar os melhores isolados, otimizar a produção e a formulação, testar em condições de campo e avaliar a segurança, a eficiência e a estabilidade do produto”, explica.

Para Mascarin, o potencial da Caatinga não se restringe aos fungos capazes de combater doenças. A biodiversidade microbiana do bioma pode ser explorada na busca por microrganismos que estimulem o crescimento das plantas, aumentem a tolerância à seca e ao calor, melhorem a absorção de nutrientes e contribuam para a proteção das raízes. O aproveitamento desse patrimônio biológico, segundo ele, pode associar inovação tecnológica e valorização dos recursos naturais do Semiárido.

“A Caatinga é uma fonte muito rica de microrganismos que ainda são pouco conhecidos. O grande potencial está em utilizar essa biodiversidade para desenvolver bioinsumos mais adaptados às condições brasileiras e, ao mesmo tempo, valorizar e conservar os recursos naturais da Caatinga”, destaca o pesquisador.

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