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6 de outubro de 2026 11:30

Cobre de Alagoas entra no radar da nova política nacional de minerais críticos

Cobre de Alagoas entra no radar da nova política nacional de minerais críticos

Lei sancionada em setembro cria instrumentos para estimular investimentos, beneficiamento e transformação mineral; governo e setor avaliam impactos para a Mina Serrote e a economia alagoana
Foto: Divulgação

A nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), instituída pela Lei nº 15.506/2026, abre novas possibilidades para a cadeia do cobre em Alagoas e coloca a Mina Serrote, da Mineração Vale Verde (MVV), em Craíbas, no centro das discussões sobre investimentos, financiamento e agregação de valor mineral. Em 2024, o empreendimento produziu 18,3 mil toneladas de cobre e 8,2 mil onças de ouro.

A relevância econômica do projeto também se reflete na operação de US$ 420 milhões que transferiu o controle da MVV, em abril de 2025, do fundo britânico Appian Capital para a chinesa Baiyin Nonferrous. Sob o novo marco legal, a discussão passa pela possibilidade de ampliar investimentos e avançar no beneficiamento e na transformação do cobre produzido em Alagoas.

O Ministério de Minas e Energia (MME) destaca que o marco regulatório busca ampliar a agregação de valor aos minerais produzidos no país, estimulando desde o mapeamento geológico e a pesquisa mineral até a lavra, o beneficiamento e, especialmente, a transformação mineral em território nacional.

Entre os mecanismos previstos está o Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos (CNPMCE). Os projetos inscritos poderão ser habilitados aos instrumentos de incentivo previstos na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), desde que atendam aos critérios e requisitos estabelecidos pela legislação.

Foto: Divulgação

“Para que uma parcela maior do valor gerado pelos minerais críticos permaneça no país, a nova Lei prevê diversos instrumentos fiscais e econômicos que poderão beneficiar os projetos de exploração e, sobretudo, transformação dos minerais críticos e estratégicos”, destaca o MME. Entre eles, estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE) e o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura.

Breno Martins, diretor técnico da Mineração Vale Verde (MVV), avalia que a nova PNMCE fortalece o ambiente regulatório e cria condições mais favoráveis para investimentos de longo prazo no setor. Segundo ele, a empresa tem expectativa de acessar os novos mecanismos de fomento e financiamento previstos na legislação, embora a exigência de garantias bancárias ainda represente um obstáculo para projetos de maior porte.

“Existe grande expectativa da MVV em avaliar e acessar os novos mecanismos federais de fomento, incentivos fiscais e linhas de crédito voltados à inovação, eficiência energética e expansão sustentável das nossas operações em Alagoas. Ainda enfrentamos, porém, dificuldades na obtenção das garantias bancárias exigidas, o que pode dificultar investimentos de grande porte”, menciona.

O diretor técnico também destaca o potencial da política para estimular o avanço da cadeia produtiva do cobre no país, ampliando o beneficiamento e a parcela de valor que permanece em Alagoas e no Brasil. Para isso, ele aponta a necessidade de investimentos em tecnologias de refino e de parcerias entre empresas, governos e instituições internacionais.

“Precisamos avançar além da extração e do concentrado básico, criando condições para investimentos em refino e tecnologias de processamento. Isso permitiria, no futuro, produzir cobre de maior pureza e valor agregado no próprio país, fortalecendo a cadeia industrial brasileira”, enfatiza.

Representando o Governo de Alagoas, o superintendente de Políticas Energéticas da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics), Bruno Macedo, avalia que a nova política federal pode fortalecer a cadeia mineral alagoana e ampliar a atração de investimentos, especialmente em segmentos ligados ao cobre, estratégico para a transição energética. Nesse cenário, ele destaca a relevância da Mina Serrote, da Mineração Vale Verde (MVV), em Craíbas, que já ultrapassa R$ 1 bilhão em investimentos desde o início da implantação, em 2018, e atualmente gera cerca de 600 empregos diretos e 1.800 indiretos.

“A nova política representa uma oportunidade para fortalecer a cadeia mineral alagoana e ampliar a atração de investimentos, especialmente em segmentos relacionados ao cobre, insumo estratégico para a transição energética, a eletromobilidade e o desenvolvimento de novas tecnologias”, ressalta.

Foto: Divulgação

Segundo Macedo, a expectativa do Estado é que o novo marco contribua para avançar além da extração, estimulando etapas de beneficiamento e transformação mineral em Alagoas, ampliando a agregação de valor ao cobre produzido em Craíbas e fortalecendo a cadeia de fornecedores locais. Ele também destaca iniciativas de qualificação profissional e desenvolvimento de fornecedores já realizadas pela Mina Serrote, além do potencial identificado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) para outros minerais estratégicos no território alagoano.

“A expectativa é criar um ambiente ainda mais favorável à chegada de investimentos e ao avanço das etapas de beneficiamento e transformação mineral dentro de Alagoas, ampliando a agregação de valor ao cobre produzido em Craíbas e fortalecendo a cadeia de fornecedores locais”, conclui.

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