
As obras viárias e os aportes em infraestrutura já fazem parte do discurso político em Sergipe e devem ganhar ainda mais espaço na disputa eleitoral. Em 2025, sob a coordenação da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), o governo estadual destinou R$ 546 milhões ao setor, dos quais mais de R$ 151 milhões foram direcionados à pavimentação.
O volume de recursos coloca em confronto duas narrativas: a que associa as intervenções à melhoria da qualidade de vida e ao desenvolvimento econômico e a que questiona se os valores aplicados têm sido suficientes para enfrentar os gargalos de mobilidade ainda presentes no estado.
A discussão, no entanto, vai além das cifras anunciadas. A percepção da população sobre os resultados das obras e a capacidade de reduzir o tempo de deslocamento tendem a pesar na avaliação dos eleitores. Por isso, a mobilidade deixa de ser uma pauta restrita à infraestrutura e passa a envolver questões relacionadas à competitividade, à logística e ao acesso a serviços essenciais.
Reflexos na economia
Para o engenheiro de tráfego e gerente de Engenharia em Segurança Viária do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE), Rodrigo Carvalho, investimentos em pavimentação, sinalização horizontal e vertical e fiscalização se refletem diretamente em melhorias na mobilidade, no deslocamento e na logística de chegada e saída de pessoas e mercadorias.
“São intervenções que caracterizam uma infraestrutura rodoviária mais segura, capaz de ‘perdoar’ o erro humano — conceito utilizado para definir rodovias cuja geometria oferece condições mais adequadas aos usuários. Dessa forma, os investimentos recentes em infraestrutura impactam diretamente a mobilidade ao promover melhorias voltadas às necessidades da segurança viária”, avalia.

Entre os principais projetos em andamento, o especialista destaca o programa Pró-Rodovias, que prevê mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos para implantação, pavimentação e reestruturação de rodovias estaduais.
“Os investimentos em infraestrutura viária ampliam o acesso da população a serviços essenciais, como saúde e educação, além de favorecerem o escoamento da produção rural e o acesso a tecnologias e insumos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do estado”, considera.
Debate tende a opor obras entregues e resultados percebidos pela população
A dimensão dos investimentos reforça o discurso de modernização da infraestrutura estadual. “Por outro lado, o alcance dessas intervenções e a capacidade de solucionar problemas históricos de deslocamento devem alimentar críticas e ampliar o debate sobre os resultados efetivamente percebidos pela população”, enfatiza o especialista.
Na prática, segundo Carvalho, a avaliação das políticas públicas tende a ser medida menos pelo volume de recursos aplicados e mais pela capacidade de reduzir congestionamentos, melhorar o tempo de deslocamento e ampliar a integração entre municípios e regiões do estado.
Crescimento urbano cria novos gargalos
Apesar dos investimentos em curso, o avanço das áreas urbanas próximas às rodovias estaduais tem criado novos desafios para a mobilidade em Sergipe.
Segundo Rodrigo Carvalho, um dos principais problemas identificados pelo DER/SE está relacionado ao crescimento dos municípios localizados às margens das rodovias, o que gera conflitos entre o tráfego local e o regional.
“Há cidades, como Nossa Senhora da Glória, em que o fluxo de veículos passa pela área urbana para conectar diversos municípios da Rota do Sertão. Esse processo acabou gerando gargalos, congestionamentos e aumentando o risco de sinistros. Para melhorar a mobilidade nessa região, o DER/SE já iniciou estudos para a implantação de anéis viários em municípios como Glória e Lagarto”, explica.
O especialista ressalta que as soluções exigem uma análise mais ampla da malha rodoviária estadual e que nem sempre a construção de novas estruturas é a resposta imediata.
“Temos adotado medidas que contribuem para a fluidez e a segurança viária. Um exemplo é a implantação da faixa reversível na Rodovia Inácio Barbosa (SE-100), em Aracaju, que permite a operação em faixa dupla nos horários de maior movimento e tem apresentado resultados positivos”, afirma.

Recursos incluem recuperação de pavimentos e modernização do trânsito
Dentro do pacote de mais de R$ 546 milhões anunciados pelo Governo de Sergipe para infraestrutura em 2025, os recursos estão sendo destinados a obras de recuperação de pavimento, recapeamento, drenagem e modernização da sinalização viária.
“Essas intervenções impactam diretamente a mobilidade urbana e regional e também fortalecem a segurança viária. A pavimentação de uma estrada em determinado povoado, por exemplo, facilita o acesso da população a serviços de saúde, permitindo uma resposta mais rápida de ambulâncias”, observa.
O engenheiro também destaca os investimentos em equipamentos de controle do tráfego.
“A instalação de semáforos mais modernos contribui para uma melhor organização do trânsito. Em Ribeirópolis, município cortado pela Rota do Sertão, novos equipamentos foram implantados recentemente. Além de aumentar a segurança dos condutores, as intervenções contemplaram botoeiras para pedestres, dispositivos que permitem solicitar a abertura do sinal e garantem uma travessia mais segura”, destaca.
Estudos orientam as intervenções
De acordo com Rodrigo Carvalho, o DER/SE realiza estudos técnicos e monitoramento permanente para orientar as ações na malha rodoviária sergipana.
“O departamento desenvolve levantamentos permanentes para identificar soluções que ampliem a mobilidade em diferentes regiões do estado. Os resultados obtidos permitiram, inclusive, uma atuação conjunta com o Banco Mundial em diversas frentes, aperfeiçoando análises e estudos voltados à redução do tempo de deslocamento”, afirma.
Segundo ele, os benefícios dos investimentos mais complexos costumam aparecer no médio e longo prazo.
“São ações que exigem análises mais aprofundadas, mas que tendem a gerar benefícios econômicos e sociais, além de promover uma mobilidade mais segura para a população sergipana e para quem utiliza as rodovias em deslocamentos interestaduais”, conclui.
