
A Bahia foi escolhida para sediar a primeira fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) do Brasil, em uma disputa que envolveu também o Piauí e que só teve seu resultado confirmado durante o lançamento da pedra fundamental do empreendimento, realizado nesta semana no Polo Industrial de Camaçari. A unidade será construída pela chinesa Windey Energy, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos para energia renovável, e receberá investimentos de R$ 100 milhões ao longo dos próximos cinco anos.
Com capacidade produtiva estimada em 1,5 gigawatt-hora (GWh) por ano, a fábrica deverá iniciar suas operações no primeiro semestre de 2027 e será a base da companhia para toda a América Latina. Do total previsto para o projeto, cerca de R$ 30 milhões serão investidos já na fase inicial de implantação.
A chegada da Windey representa um marco para o setor energético nacional em um momento de expansão das fontes renováveis e de crescente necessidade de sistemas capazes de armazenar a energia produzida por usinas solares e eólicas. A tecnologia de armazenamento em baterias é considerada essencial para aumentar a estabilidade do sistema elétrico e reduzir desperdícios de geração.
Segundo o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão, a escolha da Bahia foi resultado de uma combinação de incentivos governamentais, infraestrutura industrial e potencial energético. As negociações foram intensificadas durante uma missão oficial à China realizada em 2025, quando representantes do governo baiano apresentaram as vantagens competitivas do estado ao grupo empresarial.
O governador Jerônimo Rodrigues destacou que a decisão foi precedida por estudos técnicos realizados pela companhia. De acordo com ele, a Bahia reúne algumas das melhores condições do país para geração de energia renovável, com abundância de recursos eólicos, solares e de biomassa, além de um ambiente favorável para novos investimentos industriais.
A instalação da fábrica também responde a um desafio crescente enfrentado pelo Nordeste: o chamado curtailment, situação em que usinas precisam reduzir sua produção por limitações na capacidade das redes de transmissão. Os sistemas de armazenamento surgem como alternativa para aproveitar a energia excedente e disponibilizá-la nos momentos de maior demanda.
A nova unidade reforça ainda a transformação do Polo Industrial de Camaçari em um centro estratégico para a economia de baixo carbono. Nos últimos anos, o complexo passou a atrair investimentos ligados à transição energética, incluindo a instalação da fábrica da BYD, voltada à produção de veículos elétricos, e novos projetos associados à cadeia da energia eólica e solar.
Além do impacto tecnológico, a expectativa é de geração de empregos e qualificação profissional. Embora a operação da planta seja altamente automatizada — modelos semelhantes na China alcançam índices de automação de até 98% — a empresa estima empregar entre 70 e 120 profissionais diretamente quando atingir plena capacidade. O governo baiano projeta que o empreendimento possa gerar cerca de 500 empregos diretos e indiretos ao longo de sua implantação e operação.
Para atender à demanda por mão de obra especializada, a Windey anunciou parcerias com instituições de ensino e pesquisa, entre elas o Senai Cimatec. A estratégia busca formar profissionais para atuar em áreas técnicas, operacionais e de engenharia ligadas ao setor de armazenamento energético.
A fábrica representa a segunda etapa da presença da companhia no Brasil. Em 2025, a Windey inaugurou em Salvador seu escritório nacional e um centro de pesquisa e desenvolvimento voltado à inovação em energias renováveis. Agora, com a construção da unidade industrial em Camaçari, a empresa amplia sua aposta no mercado brasileiro e fortalece a posição da Bahia como um dos principais polos da transição energética na América Latina.