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28 de maio de 2026 17:34

Bahia Farm Show consolida oeste baiano como polo estratégico do agronegócio nacional

Bahia Farm Show consolida oeste baiano como polo estratégico do agronegócio nacional

Ao completar 20 anos, feira amplia foco em tecnologia, crédito e inovação e reforça o papel da Bahia na nova dinâmica do agro brasileiro
Foto: Reprodução/Internet

Aos 20 anos, a Bahia Farm Show chega à sua edição mais ambiciosa tentando consolidar algo maior do que uma vitrine de máquinas agrícolas. Entre os dias 8 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, a feira quer reafirmar o papel da Bahia como um pólo dinâmico do agronegócio brasileiro, que articula tecnologia, crédito, infraestrutura e articulação política em torno do setor.

O evento nasceu em 2004 como uma feira regional voltada principalmente à comercialização de equipamentos agrícolas. Duas décadas depois, se transformou em uma plataforma de negócios que conecta produtores rurais, tradings, bancos, startups, empresas de tecnologia, investidores e representantes do poder público. Hoje, é considerada a maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste e uma das principais do país.

A edição deste ano carrega números que ajudam a explicar essa transformação. A organização prevê mais de 500 expositores, cerca de 1.400 marcas e um público superior a 160 mil visitantes. O complexo foi ampliado para 380 mil metros quadrados, com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 180 milhões em investimentos ligados à operação da feira e aos negócios gerados durante o evento.

A estrutura também tenta refletir a nova fase do agro brasileiro. A feira anunciou reforço na conectividade com fibra óptica em todo o parque, monitoramento com reconhecimento facial por inteligência artificial, mobilidade interna com veículos elétricos e aplicativos de navegação em tempo real para visitantes e expositores.

Para o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, Moisés Schmidt, o crescimento da feira acompanha a própria mudança de escala do agronegócio baiano. “A Bahia Farm Show é construída de forma coletiva, com a participação importante do Governo do Estado. Esse apoio é essencial para ampliar a estrutura da feira e atrair mais investimentos”, afirmou durante o lançamento da edição de 2026.

Foto: Reprodução/Internet

O tema escolhido para este ano, “Somos um só”, tenta justamente reforçar a ideia de integração entre grandes produtores, agricultura familiar, pesquisa e inovação tecnológica. Uma das apostas da organização foi ampliar a presença dos pequenos e médios agricultores dentro do evento, reposicionando o pavilhão da agricultura familiar para a entrada principal da feira.

Segundo Israel Miguel, coordenador do Programa Caravanas da Bahia Farm Show, a feira passou a funcionar também como espaço de circulação de conhecimento e acesso à tecnologia. “As caravanas cumprem um papel estratégico na difusão de tecnologia. Ao proporcionar contato direto com soluções, máquinas, insumos e práticas sustentáveis, o programa promove o intercâmbio de conhecimento e aproxima produtores e estudantes das principais tendências do setor”, disse.

Esse movimento ocorre em um momento em que o oeste baiano se consolida como uma das áreas mais competitivas do agronegócio nacional, especialmente nas cadeias da soja, algodão, milho e agroenergia. A Bahia já ocupa posição estratégica dentro do Matopiba, região considerada a última grande fronteira agrícola do país.

Além da comercialização de máquinas e implementos, a edição deste ano deve ampliar o foco em agricultura de precisão, inteligência de dados, automação no campo, irrigação inteligente e soluções sustentáveis para produção agrícola. Empresas de crédito e desenvolvimento regional, como Banco do Nordeste, Banco do Brasil e BNDES, também estarão no evento, o que indica o peso financeiro e institucional que a feira adquiriu nos últimos anos.

Ao completar duas décadas, a Bahia Farm Show parece menos interessada em apenas exibir a força do agro baiano e mais empenhada em ocupar o papel de articuladora do futuro econômico da região. Em um estado onde o agronegócio avança como uma das principais engrenagens de crescimento, a feira virou também um termômetro das transformações tecnológicas, produtivas e financeiras que redesenham o interior da Bahia.

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