
Aos 20 anos, a Bahia Farm Show chega à sua edição mais ambiciosa tentando consolidar algo maior do que uma vitrine de máquinas agrícolas. Entre os dias 8 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, a feira quer reafirmar o papel da Bahia como um pólo dinâmico do agronegócio brasileiro, que articula tecnologia, crédito, infraestrutura e articulação política em torno do setor.
O evento nasceu em 2004 como uma feira regional voltada principalmente à comercialização de equipamentos agrícolas. Duas décadas depois, se transformou em uma plataforma de negócios que conecta produtores rurais, tradings, bancos, startups, empresas de tecnologia, investidores e representantes do poder público. Hoje, é considerada a maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste e uma das principais do país.
A edição deste ano carrega números que ajudam a explicar essa transformação. A organização prevê mais de 500 expositores, cerca de 1.400 marcas e um público superior a 160 mil visitantes. O complexo foi ampliado para 380 mil metros quadrados, com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 180 milhões em investimentos ligados à operação da feira e aos negócios gerados durante o evento.
A estrutura também tenta refletir a nova fase do agro brasileiro. A feira anunciou reforço na conectividade com fibra óptica em todo o parque, monitoramento com reconhecimento facial por inteligência artificial, mobilidade interna com veículos elétricos e aplicativos de navegação em tempo real para visitantes e expositores.
Para o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, Moisés Schmidt, o crescimento da feira acompanha a própria mudança de escala do agronegócio baiano. “A Bahia Farm Show é construída de forma coletiva, com a participação importante do Governo do Estado. Esse apoio é essencial para ampliar a estrutura da feira e atrair mais investimentos”, afirmou durante o lançamento da edição de 2026.

O tema escolhido para este ano, “Somos um só”, tenta justamente reforçar a ideia de integração entre grandes produtores, agricultura familiar, pesquisa e inovação tecnológica. Uma das apostas da organização foi ampliar a presença dos pequenos e médios agricultores dentro do evento, reposicionando o pavilhão da agricultura familiar para a entrada principal da feira.
Segundo Israel Miguel, coordenador do Programa Caravanas da Bahia Farm Show, a feira passou a funcionar também como espaço de circulação de conhecimento e acesso à tecnologia. “As caravanas cumprem um papel estratégico na difusão de tecnologia. Ao proporcionar contato direto com soluções, máquinas, insumos e práticas sustentáveis, o programa promove o intercâmbio de conhecimento e aproxima produtores e estudantes das principais tendências do setor”, disse.
Esse movimento ocorre em um momento em que o oeste baiano se consolida como uma das áreas mais competitivas do agronegócio nacional, especialmente nas cadeias da soja, algodão, milho e agroenergia. A Bahia já ocupa posição estratégica dentro do Matopiba, região considerada a última grande fronteira agrícola do país.
Além da comercialização de máquinas e implementos, a edição deste ano deve ampliar o foco em agricultura de precisão, inteligência de dados, automação no campo, irrigação inteligente e soluções sustentáveis para produção agrícola. Empresas de crédito e desenvolvimento regional, como Banco do Nordeste, Banco do Brasil e BNDES, também estarão no evento, o que indica o peso financeiro e institucional que a feira adquiriu nos últimos anos.
Ao completar duas décadas, a Bahia Farm Show parece menos interessada em apenas exibir a força do agro baiano e mais empenhada em ocupar o papel de articuladora do futuro econômico da região. Em um estado onde o agronegócio avança como uma das principais engrenagens de crescimento, a feira virou também um termômetro das transformações tecnológicas, produtivas e financeiras que redesenham o interior da Bahia.