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16 de junho de 2026 14:28

Baixo desempenho no Ideb expõe entraves da educação no Maranhão

Baixo desempenho no Ideb expõe entraves da educação no Maranhão

Mesmo com expansão da rede e aumento de investimentos, estado segue abaixo das metas e enfrenta impactos da pobreza sobre a aprendizagem
School kids in classroom

Com a divulgação dos dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o desempenho educacional do Maranhão voltou a ser tema de debates públicos. Mesmo com ampliação da rede escolar estadual, investimentos federais e iniciativas de incentivo à permanência escolar, os indicadores do estado figuram entre os piores do país, apontando desafios históricos ligados à pobreza e às dificuldades estruturais da educação pública.

Historicamente, o Maranhão enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente o desempenho escolar. Pobreza, desigualdade social, dificuldades de acesso e fragilidades na formação docente são determinantes para os indicadores. No último ciclo, referente ao ano de 2023, o estado registrou 5,4 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), um avanço de 0,2 ponto em relação à meta estabelecida. Já nos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, o Maranhão registrou 4,5 pontos; no ensino médio, 3,8 pontos, ficando abaixo da meta do Ideb projetada para o estado nas duas etapas de ensino.

Os dados reacendem discussões sobre a efetividade das políticas educacionais implementadas nos últimos anos e colocam a educação como tema estratégico para o desenvolvimento regional e para o debate político no estado. De acordo com Lucinete Lima, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a análise dos números exige uma leitura mais ampla sobre a qualidade da educação maranhense.

“Somente investimento em infraestrutura não é suficiente para a garantia da qualidade da escolarização maranhense, mas também dados do Ideb, sem articulação com outras informações quantitativas e qualitativas, isoladamente, não permitem diagnosticar a qualidade escolar, que também é multidimensional”, afirma.

Na última década, o Maranhão ampliou os investimentos em educação básica por meio de programas como o Escola Digna, criado em 2015 e transformado posteriormente em política de Estado, que promoveu construção, reconstrução, reforma e revitalização de escolas em municípios maranhenses, além da implantação de centros de ensino integral e ações de formação continuada. Segundo dados do Governo do Estado, mais de 1,3 mil unidades de educação passaram por intervenções estruturais desde a criação do programa.

Combate à pobreza é parte da questão

O debate sobre a educação maranhense passa, inevitavelmente, pelo enfrentamento das desigualdades sociais observadas no estado, que possui um dos maiores índices de pobreza do país, afetando diretamente a dinâmica de milhares de estudantes. Para a pesquisadora, a vulnerabilidade social é determinante para a construção de uma boa relação entre família e escola.

“Muitas vezes, esses familiares não tiveram oportunidades escolares ou frequentaram poucos anos de escolarização. Tais ocorrências não favorecem o desenvolvimento de grandes expectativas educacionais, nem o acompanhamento ou a orientação das aprendizagens dos filhos. Algumas vezes, as famílias são chamadas apenas para receber informações negativas sobre desempenho cognitivo, ausências ou comportamentos inesperados das crianças e adolescentes. Não se constrói um diálogo fértil”, aponta.

Mesmo com os desafios, Lucinete destaca a importância das políticas públicas e da assistência social para a redução das desigualdades educacionais. “Existem políticas sociais e de apoio e assistência estudantil que se direcionam para a inclusão social e a equidade, porém não são suficientes em relação às demandas dos estudantes vulneráveis e à extensão territorial deste país. Alguns exemplos de programas governamentais que operacionalizam essas políticas são: Programa Nacional de Alimentação Escolar, Programa Nacional do Livro e do Material Didático, Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar e auxílios financeiros, como Bolsa Família na Educação e Programa Pé-de-Meia.”

As lacunas do Ideb e o debate eleitoral

Apesar de ser um importante meio de análise do desempenho educacional do país, o Ideb não consegue abranger toda a pluralidade do aprendizado escolar. Para a pesquisadora, é importante diferenciar aprovação escolar e aprendizagem efetiva.

“Por ser a aprovação um indicador do cálculo do Ideb, e este gerar recursos financeiros, ocorre uma forte tendência de aprovar o estudante, apesar do não desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes previstas no currículo oficial”, analisa.

Outro ponto relevante é a formação docente no estado, já que o Maranhão possui alguns dos menores percentuais do país em adequação da formação superior de professores às áreas em que atuam. O caráter das formações é, muitas vezes, pragmático, desconsiderando as especificidades da região.

Considerando a disputa eleitoral para o Governo do Estado em 2026, o ideal seria que todos esses pontos fossem levados em conta e amplamente discutidos em debates públicos. Para Lucinete, esse não parece ser o caminho mais explorado pelos candidatos.

Ela avalia que o debate eleitoral deve continuar dividido entre a entrega de obras físicas e a defesa de resultados quantitativos, embora a qualidade educacional dependa de ações muito mais amplas e articuladas. “A ‘obra entregue’ não será apenas construção física, reformas ou equipamentos de escolas, mas ações públicas articuladas e intersetoriais que contribuam para a qualidade educacional, e não apenas para elevar um índice educacional”, conclui.

Procurados pela equipe do Investindo Por Aí, a Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (Seduc-MA) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não responderam aos questionamentos da reportagem.

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