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27 de maio de 2026 11:32

Bem-sucedida estratégia industrial sergipana deve qualificar debate eleitoral no estado

Bem-sucedida estratégia industrial sergipana deve qualificar debate eleitoral no estado

Sergipe aprovou mais de R$ 620 milhões em investimentos industriais incentivados e criou 46,7 mil empregos formais desde 2023; mesmo tempo, busca reduzir a dependência do petróleo e ampliar a infraestrutura logística
Industrialização ganha espaço no debate eleitoral em Sergipe após avanço de investimentos e empregos | Foto: Sedetec

O avanço recente da indústria deve recolocar a agenda econômica no centro da disputa eleitoral em Sergipe. Desde 2023, o estado criou 46,7 mil empregos formais e aprovou mais de R$ 620 milhões em investimentos industriais incentivados, em um movimento impulsionado pela expansão da cadeia de petróleo e gás, pela política estadual de incentivos fiscais e pela instalação de novos empreendimentos industriais.

Segundo dados do Novo Caged, o estoque de empregos com carteira assinada em Sergipe passou de 313 mil para 360 mil vínculos entre janeiro de 2023 e novembro de 2025. Somente em 2025, o saldo foi de 15,4 mil vagas formais.

Ao mesmo tempo, o Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), principal política estadual de estímulo ao setor, aprovou incentivos para 26 empreendimentos fabris em 2025, com previsão de geração de 1,8 mil empregos diretos. Os projetos envolvem segmentos como petróleo e gás, metalurgia, alimentos, química, plásticos, logística industrial e materiais de construção.

O secretário da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Valmor Barbosa, afirma que o governo estadual tem estruturado uma estratégia para ampliar a industrialização de forma diversificada e integrada à infraestrutura logística e energética do estado.

“O setor de petróleo e gás é um dos principais eixos de desenvolvimento para os próximos anos, com projetos como o Sergipe Águas Profundas (Seap) e o descomissionamento de plataformas”, diz.

Segundo Barbosa, a orientação do governador Fábio Mitidieri é utilizar os investimentos ligados à cadeia energética para ampliar infraestrutura e estimular cadeias produtivas permanentes.

“A orientação do governador Fábio Mitidieri sempre foi a de que não devemos nos apoiar apenas na exploração dos recursos em si, mas usá-los para ampliar a infraestrutura do estado e mobilizar toda uma cadeia produtiva, rendendo resultados perenes”, afirma.

Incentivos fiscais ampliam arrecadação industrial

O crescimento da atividade industrial também elevou a arrecadação de ICMS das empresas beneficiadas pelo PSDI. De acordo com a Sedetec, as empresas beneficiadas arrecadaram um total superior a de R$ 278 milhões em 2025, ante R$ 206 milhões em 2024 e R$ 201 milhões em 2023.

Somente no primeiro trimestre de 2026, o estado registrou mais de R$ 59,2 milhões arrecadados em ICMS provenientes de indústrias incentivadas pelo programa.

Valmor Barbosa destaca que Sergipe tem se preparado para ampliar a industrialização com integração logística e energética | Foto: Sedetec

Segundo Barbosa, a arrecadação já considera o diferimento aplicado pelo PSDI, que concede descontos entre 92% e 93,8% no ICMS devido pelos empreendimentos industriais. “Ainda assim, os números não incluem outros tributos relacionados ao consumo e à renda gerada pelos empregos criados pelas empresas incentivadas”, afirma.

Na avaliação do secretário, os impactos econômicos da política industrial vão além da arrecadação direta.

Em Sergipe, o PSDI fundamenta a concessão de benefícios fiscais, locacionais e de infraestrutura para indústrias que busquem implantação ou expansão no estado. Apenas no primeiro semestre de 2026, o governo incentivou 12 novas empresas por meio do programa, com previsão de R$ 175,4 milhões em investimentos e geração de 891 empregos diretos.

Barbosa considera que os dados demonstram ampliação da atividade produtiva e atração de novos empreendimentos.

Embora o governo estadual destaque a geração de empregos e a atração de empresas via incentivos fiscais robustos, pesquisadores e organizações sociais alertam para o risco de repetição de um padrão histórico: crescimento econômico concentrado, baixo retorno social e aprofundamento das desigualdades raciais e territoriais. “O crescimento econômico, por si só, não é capaz de sanar as fraturas históricas de Sergipe que mantêm a maioria da sua população na base da pirâmide”, defende o cientista político e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe, Carlos Eduardo trindade Santos.

Interiorização industrial e infraestrutura logística entram na estratégia do estado

O governo estadual também tenta ampliar a descentralização industrial para além da Grande Aracaju. Municípios como Lagarto, Estância, Laranjeiras, Umbaúba, Moita Bonita, Nossa Senhora do Socorro e Santa Luzia do Itanhi receberam novos empreendimentos incentivados pelo PSDI nos últimos meses.

“Apostamos na descentralização e na interiorização do desenvolvimento industrial. Ele não pode ficar concentrado em poucos centros ou gerar ilhas de prosperidade”, afirma Barbosa.

O PSDI é gerido pela Sedetec, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise).

O diretor-presidente da Codise, Ronaldo Guimarães, reforça que o PSDI é estratégico para o desenvolvimento descentralizado do estado. “A Codise atua na gestão de áreas em Núcleos e Distritos Industriais em diversos municípios sergipanos. Ao oferecer um ambiente favorável, aceleramos a implantação de indústrias, com geração de empregos e melhoria das condições de vida da população”, salienta.

Barbosa, por sua vez, especifica que a Sedetec atua na gestão de núcleos e distritos industriais em diferentes municípios para permitir a instalação e expansão de empresas de acordo com as vocações produtivas regionais. “É o caso do alto sertão, com forte base na indústria de laticínios, e do sul, inclinado à indústria têxtil”, exemplifica.

Dentro dessa estratégia, o governo também aposta na ampliação da infraestrutura logística. Barbosa cita o projeto do Complexo Industrial Portuário, formado por dez municípios localizados no entorno do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB): Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas, Laranjeiras, Maruim, Rosário do Catete, Japaratuba, Pirambu, General Maynard, Carmópolis e Capela.

Segundo ele, a região é considerada estratégica para implantação de núcleos industriais ligados a diferentes cadeias produtivas.

Sergipe amplia arrecadação e geração de empregos com política de incentivos industriais. Segundo Barbosa, os números já consideram os descontos do PSDI no ICMS | Foto: Sedetec

Veja os empreendimentos projetados em cada região de Sergipe:

Grande Aracaju
Em Aracaju, a Zagonel investirá R$ 83 milhões na antiga planta da Hidra, com previsão de 660 empregos. Em Nossa Senhora do Socorro, D&M Pisos e Revestimentos, Yangled e Mega Confecções somam mais de R$ 3,7 milhões em investimentos e 110 vagas. Em Laranjeiras, a MPK Premoldados investirá R$ 1 milhão e prevê 40 empregos.

Leste sergipano
Em Santa Luzia do Itanhi, a Carapitanga investirá R$ 9,5 milhões na criação de camarões, com 65 empregos previstos.

Agreste sergipano
Em Moita Bonita, a M. N. Têxtil investirá mais de R$ 650 mil e deve gerar 15 empregos.

Centro-Sul sergipano
Em Lagarto, a Multy Ambientes aplicará R$ 2,5 milhões em uma fábrica de móveis, com 35 vagas.

Sul sergipano
Em Estância, a N. Sra. da Piedade investirá R$ 14,8 milhões e prevê 31 empregos. Em Umbaúba, a DGF Soluções Têxteis e a Moda Básica somam mais de R$ 2 milhões em investimentos e 58 vagas diretas.

Qualificação profissional e transição energética entram no debate industrial

Apesar da expansão da indústria, os dados do mercado de trabalho mostram que o setor de serviços continua liderando a geração de empregos no estado. Entre 2023 e 2025, serviços abriram 23,3 mil vagas formais, enquanto o comércio respondeu por 11,6 mil postos, a construção por 8,6 mil e a indústria por 4 mil empregos.

Segundo Ronaldo Guimarães, o PSDI fortalece a industrialização no interior, com geração de empregos e desenvolvimento regional | Foto: Codise

O cenário amplia o debate sobre qualificação profissional, infraestrutura e capacidade de Sergipe atrair setores industriais de maior valor agregado.

Segundo Barbosa, a formação técnica passou a ocupar papel central na estratégia industrial do estado. “Estamos investindo na capacitação de mão de obra, com iniciativas como uma trilha formativa no setor de petróleo e gás voltada aos servidores estaduais”, afirma.

De acordo com o secretário, a atração de investimentos depende também da capacidade de formar trabalhadores aptos a ocupar funções técnicas e especializadas. Santos tensiona esse cenário ao destacar que “não há desenvolvimento real sem governança tripartite” e que o “mercado que recebe isenção fiscal em Sergipe tem a obrigação legal de financiar a autonomia e a sobrevivência da sociedade civil sergipana”.

Para Barbosa, o desenvolvimento industrial exige maior integração entre ensino técnico, universidades e setor produtivo. Nesse sentido, a Sedetec vem direcionando recursos do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funtec) para apoiar pesquisadores, estudantes, instituições públicas de ensino e empreendedores ligados a projetos de ciência, tecnologia e inovação.

O secretário também aponta infraestrutura logística e custos energéticos como fatores que afetam a competitividade industrial. “Estamos desenvolvendo, junto à FGV Energia, o Plano Estadual de Transição Energética e um estudo técnico sobre infraestrutura portuária”, afirma.

Segundo Barbosa, o estado também avança em projetos como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a reativação do estaleiro de Santo Amaro das Brotas.

Valmor Barbosa considera que a qualificação profissional se tornou prioridade na estratégia industrial do estado, com foco na formação técnica | Foto: Prefeitura Municipal de Largarto

Na avaliação do secretário, a sustentabilidade tende a ocupar espaço crescente na política industrial diante das exigências internacionais por eficiência energética e descarbonização. “O Plano de Transição Energética visa justamente empregar esse potencial, combinando eficiência e responsabilidade ambiental”, diz.

Para Barbosa, o debate sobre industrialização deve ultrapassar indicadores ligados apenas ao crescimento do PIB ou ao volume de empregos. “Ele deve tratar da qualidade desses empregos, da capacidade de inovação do estado, da infraestrutura disponível, da sustentabilidade do crescimento e do modelo de desenvolvimento que queremos construir para as próximas décadas”. Santos acrescenta que as forças progressistas devem pautar o debate eleitoral a partir de uma ótica de justiça distributiva dentro da lógica de industrialização que atravessa o Sergipe.

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