
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou uma carteira de 102 projetos estruturantes vinculados ao Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), com demanda estimada de R$ 144 bilhões em investimentos. Os números foram divulgados durante encontro realizado na semana passada, que reuniu representantes dos governos estaduais, instituições financeiras e organismos internacionais para discutir alternativas de financiamento e estratégias de implementação das iniciativas.
O evento marcou a conclusão de um trabalho desenvolvido pela Sudene em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), voltado à qualificação dos projetos e ao fortalecimento de sua capacidade de atrair recursos públicos e privados. As propostas foram indicadas pelos estados e integram o principal instrumento de planejamento regional coordenado pela autarquia.
Durante a agenda, representantes da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe apresentaram informações sobre o estágio de maturidade dos projetos, necessidades de estruturação e perspectivas de financiamento. Também participaram instituições como BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Finep, PNUD e UNOPS.
Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o desafio agora é transformar a carteira em investimentos efetivos. Para isso, a estratégia passa pela articulação entre planejamento, financiamento e execução, aproximando governos, agentes financeiros e parceiros técnicos.
A distribuição dos projetos revela diferenças importantes entre os estados. A Bahia lidera em número de iniciativas, com 30 projetos que somam R$ 39,5 bilhões. Já o Piauí concentra o segundo maior volume de investimentos previstos, com seis projetos avaliados em R$ 68,6 bilhões. Pernambuco aparece com seis projetos estimados em R$ 19,9 bilhões, enquanto o Ceará reúne dez iniciativas avaliadas em R$ 3,7 bilhões.
A análise por eixo estratégico mostra o peso da infraestrutura na agenda regional. Dos 102 projetos, 56 estão ligados à ampliação da infraestrutura, concentrando R$ 115,8 bilhões, quase 80% do valor total da carteira. O eixo de desenvolvimento produtivo aparece em seguida, com 34 projetos e demanda de R$ 26,7 bilhões. As demais iniciativas contemplam áreas como meio ambiente, inovação, desenvolvimento social e educação.
Um dos diferenciais do trabalho conduzido pela Sudene foi a criação de uma metodologia para avaliar o grau de maturidade de cada projeto. Desenvolvida em conjunto com os estados e com apoio técnico especializado, a ferramenta analisa aspectos como viabilidade econômica, estruturação técnica, segurança jurídica, ambiente regulatório e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
A classificação permite identificar gargalos e direcionar os projetos para diferentes modalidades de financiamento, aumentando as chances de captação de recursos. De acordo com especialistas envolvidos na iniciativa, a metodologia também facilita a aproximação entre governos e investidores, ao oferecer informações mais precisas sobre o nível de preparação de cada empreendimento.
Para representantes dos estados e das instituições financeiras, a principal contribuição do encontro foi justamente a criação de um ambiente de cooperação capaz de acelerar a implementação das propostas. A expectativa é que a articulação promovida pela Sudene fortaleça a capacidade dos governos estaduais de transformar projetos estratégicos em obras, serviços e investimentos com potencial para gerar emprego, renda e melhorar a infraestrutura da região.
Com uma carteira robusta e foco em projetos estruturantes, o Nordeste busca ampliar sua capacidade de atrair capital e consolidar uma agenda de desenvolvimento de longo prazo, baseada em planejamento, inovação e integração entre os diferentes atores públicos e privados.