
O Ceará dará mais um passo para consolidar sua posição de destaque no setor de energias renováveis com a construção da maior torre eólica das Américas. O anúncio foi feito pelo Governo do Estado em parceria com o Grupo Cortez durante reunião realizada na terça-feira (2) na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE). Batizado de Projeto Everest, o empreendimento receberá investimento de R$ 100 milhões e será instalado no pátio da ArcelorMittal Pecém, em São Gonçalo do Amarante.
Com 166 metros de altura estrutural e 257 metros quando somadas as pás do aerogerador, a torre supera com folga o padrão atualmente utilizado no Brasil, que varia entre 80 e 120 metros, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As obras de preparação do terreno e fundação devem começar já na próxima semana.
A tecnologia empregada no projeto foi desenvolvida e patenteada pela CTZ Eolic Tower, empresa do Grupo Cortez. A companhia possui experiência consolidada no segmento, tendo participado da construção de mais de 180 torres eólicas em parques localizados nos estados do Ceará e de Santa Catarina. Seu modelo de produção utiliza fábricas móveis instaladas dentro dos próprios parques eólicos, o que reduz custos logísticos, gera empregos locais e favorece o uso de matéria-prima regional.
Um dos principais diferenciais do Projeto Everest é o sistema de içamento desenvolvido em parceria com a empresa Protende. A solução elimina a necessidade de guindastes de grande porte, conhecidos como heavy lift, cuja disponibilidade é limitada no país para estruturas acima de 135 metros de altura.
O método construtivo prevê a utilização de uma torre externa e outra interna. Após a montagem do aerogerador em uma estrutura intermediária, equipamentos especiais realizam o içamento do conjunto até sua posição definitiva. Além disso, a adoção de juntas secas entre os segmentos de concreto reduz o tempo de execução e diminui desperdícios de materiais.
A escolha pelo concreto também apresenta vantagens econômicas e técnicas. De acordo com os responsáveis pelo projeto, torres metálicas tornam-se mais caras a partir de 90 metros de altura e exigem fundações significativamente maiores. O concreto oferece ainda maior resistência ao fogo, menor necessidade de manutenção e vida útil superior a 50 anos.
O empreendimento contará com turbinas fornecidas pela fabricante chinesa Goldwind, uma das líderes globais do setor. Também participam do projeto a Casa dos Ventos e a empresa francesa TotalEnergies, que demonstraram interesse na tecnologia desenvolvida no Ceará.
O Projeto Everest recebeu apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de um programa federal de incentivo às energias renováveis. A licença ambiental já foi emitida pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), e o lançamento da pedra fundamental está previsto para julho, no Complexo do Pecém.
Além dos avanços para o setor eólico, o projeto é visto como peça estratégica para ampliar a oferta de energia renovável de baixo custo no estado. A expectativa é fortalecer a atração de empreendimentos eletrointensivos, como centros de dados e iniciativas ligadas à produção de hidrogênio verde. O governo estadual também pretende aproximar o projeto de instituições de pesquisa, incluindo o futuro campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, reforçando a ambição de transformar o estado em uma referência internacional em engenharia e inovação aplicada à energia renovável.