
O El Niño de 2026 deve atingir uma anomalia de 3,7°C acima da média na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico, entre outubro e dezembro. A projeção está no boletim divulgado na última semana pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU. O pico é esperado para dezembro, com probabilidade próxima de 100% de o fenômeno seguir ativo até fevereiro de 2027.
O número supera o recorde anterior, de 2,6°C, registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o episódio está entre os candidatos a figurar como um dos mais intensos desde 1950.
No Nordeste, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) orienta produtores a antecipar medidas contra temperaturas elevadas e irregularidade das chuvas. As projeções do órgão para os últimos quatro meses de 2026 indicam maior chance de precipitação abaixo da média, com risco de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas.
No Semiárido, a atenção se volta ao início de 2027, quando se concentra parte importante das atividades agrícolas, especialmente nas áreas em que o plantio depende da estação chuvosa. A Embrapa ressalta, porém, que o El Niño não determina sozinho a ocorrência de seca: as condições do Atlântico Tropical podem atenuar ou intensificar seus efeitos. Por isso, a intensidade no Pacífico não equivale a previsão uniforme de estiagem para todos os estados.
A região chega ao episódio em situação hídrica melhor que a de 2016. Os reservatórios nordestinos tinham cerca de 23% da capacidade em agosto de 2016, ante aproximadamente 51% em 2026. A situação varia, no entanto, conforme o local, e propriedades que dependem de pequenos açudes e cisternas continuam sujeitas ao volume e à distribuição das chuvas.
Entre as recomendações estão ampliar a captação e o armazenamento de água, com cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, aproveitamento da chuva e reúso, como o Bioágua Familiar. Na lavoura, a Embrapa sugere usar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para definir janelas de plantio, priorizar variedades adaptadas, escalonar a semeadura e, onde o milho é mais vulnerável, considerar o sorgo. Também indica conservar o solo com palhada e matéria orgânica.
Na pecuária, as orientações incluem formar estoques de forragem, preservar bancos de palma-forrageira e ajustar o tamanho do rebanho à capacidade de suporte. As medidas ampliam as 163 propostas do Grupo de Trabalho sobre o El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, e reúnem cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Inmet.