A realização de um congresso internacional da indústria têxtil em Fortaleza coloca o Ceará no radar de uma discussão que ultrapassa as fronteiras do setor: como tornar a produção brasileira mais competitiva e ampliar sua presença no mercado global. O encontro, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) entre os dias 14 e 15 de outubro, reunirá especialistas nacionais e estrangeiros para tratar de inovação, sustentabilidade, internacionalização e oportunidades de investimento.
A escolha da capital cearense para sediar o evento abre espaço para discutir a posição do estado na cadeia têxtil brasileira e o potencial de atração de negócios a partir da conexão com empresas e entidades internacionais.
Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), explica que a escolha de Fortaleza para sediar o congresso está relacionada à relevância do Ceará e do Nordeste para a cadeia têxtil e de confecção brasileira. Segundo ele, além da tradição industrial, a região reúne capacidade empresarial e uma identidade própria ligada à moda e ao design.
“Fortaleza está no centro de uma região com forte tradição têxtil e de confecção, capacidade empresarial e uma identidade cultural que se expressa também na moda e no design. Realizar o congresso no Ceará é reconhecer a importância do Nordeste para a indústria brasileira e mostrar aos convidados internacionais a diversidade da nossa cadeia produtiva”, ressalta.
Pimentel destaca ainda que o congresso terá a participação da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e da International Apparel Federation (IAF), entidades de alcance mundial. Na avaliação do dirigente, a presença internacional cria uma oportunidade para apresentar a cadeia brasileira e aproximar empresas nacionais das discussões que devem orientar o futuro da indústria.
Para Pimentel, a conexão entre empresas brasileiras e representantes estrangeiros pode gerar oportunidades que vão além da exposição internacional, incluindo parcerias comerciais, acesso a compradores, cooperação tecnológica e investimentos em diferentes segmentos da cadeia.

“Ao reunir empresas e lideranças de vários países, o congresso permite que o empresário brasileiro conheça demandas de outros mercados e apresente soluções em áreas nas quais temos potencial, como moda autoral, tecidos, produtos para o lar, têxteis técnicos e artigos associados à sustentabilidade. É uma oportunidade para aproximar empresas, identificar parceiros e transformar essa conexão internacional em novas possibilidades de negócios”, pontua.
O diretor-superintendente da Abit ressalta, porém, que a participação em eventos internacionais, por si só, não garante a expansão das exportações. Para transformar contatos em negócios recorrentes, ele aponta a necessidade de as empresas brasileiras combinarem qualidade, design, produtividade e regularidade, além de atenderem às exigências específicas de cada mercado, inclusive regras de origem, rastreabilidade e padrões socioambientais.
“Também precisamos avançar na competitividade sistêmica do Brasil, com redução dos custos de financiamento e logística, simplificação de processos e condições equilibradas de concorrência. A internacionalização depende do esforço das empresas, mas também de um ambiente que lhes permita investir, inovar e competir”, conclui.
