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23 de fevereiro de 2024 13:05

Entidades do agro apontam preocupação com desafios institucionais do Brasil

Entidades do agro apontam preocupação com desafios institucionais do Brasil

Manifesto de associações demonstra preocupação com instabilidade política

Por Roberto Samora e Gabriel Araujo – São Paulo
Para Reuters

Sete associações do agronegócio do Brasil, incluindo Abag e Abiove, manifestaram nesta segunda-feira preocupação com os “atuais desafios à harmonia político-institucional” local, afirmando em manifesto que as tensões estão custando caro ao país e levarão tempo para ser revertidas.

As entidades disseram que o Brasil não pode se apresentar à comunidade global como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou sob risco de retrocessos e rupturas institucionais, e defenderam o Estado de Direito estabelecido pela Constituição de 1988.

“O desenvolvimento econômico e social do Brasil, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, condições indispensáveis para seguir avançando na caminhada civilizatória”, afirmaram as associações, reiterando apoio à alternância de poder em eleições legítimas e frequentes.

A posição expressa no documento, assinado também por Abrapalma, Sindiveg, CropLife, Abisolo e Ibá, além da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), diferencia-se do apoio dado por outras entidades do agronegócio, como a Aprosoja, a bandeiras de Jair Bolsonaro.

O presidente tem atacado o sistema eleitoral brasileiro, defendendo a adoção do voto impresso, e mantido tensões com o Poder Judiciário, após pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) –o que foi rechaçado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Outro alvo constante de Bolsonaro é o ministro do STF Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Falando em ruptura e em decisões fora das “quatro linhas (da Constituição)”, Bolsonaro também já ameaçou pedir o impeachment de Barroso.

“As amplas cadeias produtivas e setores econômicos que representamos precisam de estabilidade, de segurança jurídica, de harmonia, enfim, para poder trabalhar… É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora”, disseram as associações do agronegócio.

“O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isso está nos custando caro e levará tempo para reverter”, acrescentaram.

O manifesto das associações ocorre após uma polêmica envolvendo Febraban e Fiesp, que vinham costurando uma carta em defesa da democracia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda que a Fiesp teria se recusado a publicar o manifesto com críticas ao governo.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) negou ter participado da elaboração de texto com ataques ao governo.

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