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29 de maio de 2026 11:31

Futuro da energia no Brasil passa pelo Nordeste e, especificamente, por Sergipe

Futuro da energia no Brasil passa pelo Nordeste e, especificamente, por Sergipe

O setor energético prevê investimentos de R$ 3 trilhões até 2035, sendo R$ 2,4 trilhões destinados apenas ao óleo e gás
Foto: Sara Correia

Debate intenso no setor energético nordestino, a Margem Equatorial foi tema estratégico durante a Bahia Oil & Gas em 2026. O painel “Perspectivas do E&P na Margem Equatorial e Sergipe”, mediado pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, reuniu especialistas para discutir o cenário estratégico da exploração e produção de petróleo e gás no Brasil, e tratou do potencial geológico das novas fronteiras, gargalos logísticos e de mão de obra que a indústria enfrenta.

Anderson de Sales Oliveira, gerente setorial da Petrobras, destacou que a história do petróleo no Brasil é marcada por ciclos que se sobrepõem, desde a primeira descoberta em terra no bairro do Lobato, em Salvador (BA), em 1939, até o sucesso do Pré-sal, passando pela exploração em águas rasas e profundas. No entanto, ele alertou que “o Brasil poderá perder sua autossuficiência energética por volta de 2036 se não houver novas descobertas significativas para repor as reservas que começarão a reduzir drasticamente na próxima década. “O Pré-sal é importante, mas temos de pensar no potencial do restante do Brasil para além do Sudeste; e o Nordeste e o Norte são estratégicos. A exploração de novas fronteiras é essencial para garantir a soberania energética do país e a história mostra que essa atividade é segura”, pontuou.

Nesse contexto, a Margem Equatorial brasileira – nova fronteira exploratória de petróleo que se estende por mais de 2.200 km da costa do Amapá ao Rio Grande do Norte, abrangendo cerca de 900 mil km2 – surge como a grande aposta, sendo uma área 1,5 vez maior que as bacias do Sudeste. A Petrobras planeja investir US$ 2,5 bilhões para perfurar 15 poços nos próximos cinco anos, buscando dobrar o conhecimento sobre a região onde estão localizadas as bacias da Foz do Amazonas, do Pará-Maranhão, de Barreirinhas, do Ceará e Potiguar, além de Poços Exploratórios.

Um dos destaques é o poço pioneiro Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas. Situado a 175 km da costa, o poço é considerado um dos mais importantes da América Sul e pode destravar uma nova província petrolífera. Contudo, o licenciamento ambiental continua sendo um desafio crítico, com processos que podem levar mais de uma década para serem concluídos. “É relevante o peso da Petrobras na Margem Equatorial, mas dos 52 blocos, apenas dois têm licença”, disse.

Sergipe: hub de gás e logística offshore

Eduardo Aragon, CEO da Brainmarket, focou nas oportunidades no estado de Sergipe, que avança para o desenvolvimento de dois novos FPSOs (Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência) e a construção de gasodutos marítimos e terrestres. “Diferente da Margem Equatorial, que ainda é uma grande expectativa, Sergipe hoje já é uma realidade e já abriga o maior campo de petróleo em terra firme do país, em Carmópolis, e a maior estação de tratamento de óleo (em Bonsucesso)”, revelou.

O executivo compartilhou, em primeira mão, um novo pacote de investimentos que será assinado nesta sexta-feira (29), em Aracaju (SE), pela Petrobras, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da presidente da estatal, Magda Chambriard. Dentro do pacote de mais de R$ 72,5 bilhões, será formalizado o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), que receberá mais de R$ 60 bilhões e deve impulsionar a geração de 28 mil empregos no estado, para a construção dos FPSOs P-81 (SEAP I) e P-87 (SEAP II). “Mais do que estratégica, a iniciativa se consolida como uma nova fronteira de produção de petróleo e gás natural no Nordeste brasileiro. Para o menor estado da federação, é um grande desafio, sobretudo para o que vai representar”, explicou, referindo-se aos 134 km (111 km no trecho marítimo e 23 km em terra) de extensão total do gasoduto de escoamento do projeto, conectando as plataformas à costa de Sergipe.

Aragon ressaltou que o sucesso dessas operações depende de uma infraestrutura logística robusta. Atualmente, Sergipe possui três áreas em licenciamento para bases logísticas que apoiarão a exploração offshore. Além do petróleo, o estado se consolida como um hub de gás, com o Terminal de Regaseificação do Hub Sergipe (operado pela Eneva) e interligado à malha da TAG, e a Usina Termelétrica (UTE) Porto de Sergipe, uma das maiores do Brasil.

Foto: Sara Correia

Gargalos na cadeia de suprimentos

Do ponto de vista dos negócios, é indiscutível a relevância do Brasil no cenário global, ocupando a posição de exportador de metade de sua produção e caminhando para ser o quinto maior produtor de petróleo do mundo até 2030. No entanto, conforme apresentou Glauco Nader, CEO da Dinamus (consultoria com experiência na cadeia de valor de óleo, gás e energia), o petróleo é, desde 2024, o principal produto da pauta de exportação brasileira, mas as perspectivas são de um possível “apagão” de empresas fornecedoras, que podem não ter fôlego para acompanhar a expansão da indústria para o Norte e Nordeste do país.

“Como essas empresas vão dar um salto e atender outras demandas em outros lugares do país? É um grande desafio, especialmente para as de “terceira camada” (médias empresas de manutenção e suprimentos)”, ponderou. “A descentralização da atividade, saindo do eixo consolidado de Macaé para novas fronteiras como Amapá e Pelotas, exige a qualificação urgente de mão de obra local e a criação de uma cultura industrial nessas regiões, completou o executivo.

O setor energético prevê investimentos de R$ 3 trilhões até 2035, sendo R$ 2,4 trilhões destinados apenas ao óleo e gás. Para que esse volume financeiro se converta em produção efetiva, o painel concluiu que é fundamental integrar a cadeia produtiva, garantindo que fornecedores médios e profissionais qualificados estejam prontos para os desafios das novas fronteiras exploratórias.

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