
O Governo do Maranhão anunciou, na semana passada, um amplo pacote de revitalização de 22 imóveis no Centro Histórico de São Luís, Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1997. A solenidade de lançamento, realizada no Convento das Mercês, no bairro Desterro, marca uma nova fase de investimentos que combinam recursos próprios, verbas federais do PAC Cidades Históricas e parcerias estratégicas com a iniciativa privada.
O governador Carlos Brandão destacou que as obras visam preservar o maior conjunto arquitetônico de origem portuguesa da América Latina, além de fortalecer a cultura, o turismo e a economia da capital. “Os projetos que estamos lançando não são simples, mas são fundamentais para preservar este patrimônio”, afirmou o governador, citando investimentos de R$ 14milhões na revitalização doTeatro Arthur Azevedo, cerca de R$ 30 milhões no antigo Hotel Central e no Palácio do Comércio, e aproximadamente R$ 20 milhões na recuperação do antigo Hotel Vila Rica.
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Oliveira, representou o Governo Federal no evento e ressaltou o caráter social dos investimentos. “Estamos lançando obras como o Museu do Bumba Meu Boi e de outros espaços que vão assegurar que essa população possa preservar sua história, memória e ancestralidade”, disse a ministra, referindo-se aos 70% de maranhenses negros. Para ela, as obras representam investimento em igualdade racial e valorização da identidade local.
O presidente do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão, informou que desde 2023 o governo federal já destinou mais de R$ 60 milhões ao estado para revitalização do patrimônio cultural. “Nossa expectativa é que essas intervenções resultem na restituição à sociedade do que há de mais valioso: a reintegração dessas edificações como elementos constitutivos da identidade nacional e maranhense”, declarou.
O novo pacote inclui o Centro de Artes Cênicas do Maranhão (CACEM), na Rua do Giz, referência na formação de atores; e o Parque Tecnológico Renato Archer, na Rua da Estrela, que integrará empresas, universidades e centros de pesquisa. Também estão previstas a reforma da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB), do Complexo Odylo Costa Filho e da Igreja de São João.
A Secretaria de Estado das Cidades (Secid) amplia obras já licitadas, como a reforma do Solar da Baronesa para o projeto Formando e Cozinhado, de qualificação profissional, e a nova sede do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM). O secretário Alberto Bastos destacou o Centro Maranhense de Oportunidades, onde dois mil alunos terão cursos de formação profissional, com espaço para creche e comercialização de produtos.
Foram assinadas parcerias com a iniciativa privada para recuperação de casarões históricos, incluindo cessões de uso na Rua da Palma, Rua Rio Branco para a Defensoria Pública e Rua Portugal para um restaurante. O governo também cedeu três prédios à rede hoteleira portuguesa Vila Galé, que investe R$ 150 milhões em sua primeira unidade no Brasil, gerando cerca de 300 empregos diretos na fase de construção.
Obras em andamento incluem ainda a nova sede do Centro de Referência Estadual de Economia Solidária (CRESOL), a Igreja da Sé e o Hotel Vila Rica, que abrigará um centro administrativo do governo. A restauração da Igreja de Nossa Senhora de Santana e do Museu do Percurso de Alcântara também integram o pacote.