
O Ceará está prestes a alcançar um marco inédito em sua trajetória científica e tecnológica. O primeiro nanossatélite desenvolvido no estado, batizado de Nascerr (Nanosatélite com Eletrônica Robusta à Radiação), está em fase final de montagem na Universidade Federal do Ceará (UFC) e tem lançamento previsto para o próximo ano. O projeto, recentemente aprovado para a carteira de qualificação da Agência Espacial Brasileira (AEB), representa um passo importante para a inserção da pesquisa cearense no setor espacial global.
Com investimento de R$ 1,5 milhão em sua construção e recursos totais de R$ 2 milhões financiados por CNPq, Finep e Funcap, o Nascerr será enviado a uma órbita de aproximadamente 550 quilômetros de altitude. Sua principal missão é testar uma tecnologia inédita desenvolvida no Ceará: um computador de bordo capaz de resistir aos efeitos da radiação espacial e corrigir automaticamente falhas provocadas por ela.
O equipamento foi projetado no formato cubesat, padrão amplamente utilizado em missões de pequeno porte devido ao menor custo e à simplicidade de construção. Apesar dessas vantagens, os nanossatélites enfrentam um desafio significativo: a curta vida útil causada pela exposição constante à radiação ionizante, que pode comprometer sistemas eletrônicos e levar à perda total de uma missão.
Para enfrentar esse problema, pesquisadores do Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), vinculado ao Departamento de Engenharia de Teleinformática da UFC, desenvolveram o Robust Onboard Computer (Roboc). O sistema utiliza um algoritmo de controle dinâmico capaz de detectar e corrigir erros causados pela radiação, ajustando automaticamente seus mecanismos de proteção conforme a intensidade do ambiente espacial.
Segundo o coordenador do projeto, professor Jarbas Silveira, a proposta é transformar o Nascerr em um laboratório orbital. Durante a missão, prevista para durar um ano, os pesquisadores poderão atualizar softwares remotamente e testar novas versões do sistema em condições reais.
A tecnologia já passou por avaliações em centros de pesquisa na França e nos Países Baixos, onde demonstrou capacidade de corrigir falhas eletrônicas consideradas críticas. Agora, a equipe prepara a documentação técnica para as próximas etapas de validação junto à AEB. Se cumprir o cronograma previsto, o Nascerr poderá não apenas colocar o Ceará no mapa da exploração espacial, mas também abrir oportunidades para a comercialização internacional de tecnologia espacial desenvolvida no Brasil.