Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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18 de junho de 2026 10:21

Nordeste em Pauta reúne lideranças em Brasília e reforça protagonismo da região no desenvolvimento econômico do País

Nordeste em Pauta reúne lideranças em Brasília e reforça protagonismo da região no desenvolvimento econômico do País

Especialistas, autoridades e representantes do setor produtivo destacam avanços em geração de empregos, infraestrutura, energia renovável e inovação
Foto: Larissa Barros

O Nordeste consolidou, nos últimos anos, sua posição como um dos principais motores da economia brasileira. Com crescimento econômico acima da média nacional, expansão da geração de empregos e avanços em áreas estratégicas, como energia renovável, infraestrutura e inovação, a região passou a ocupar um lugar central no debate sobre o desenvolvimento do país.

Esse cenário foi o foco da terceira edição do talk Nordeste em Pauta, realizada na quarta-feira (17), no B Hotel, em Brasília. Promovido pelo Portal Metrópoles em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), o encontro reuniu autoridades, especialistas, empresários e representantes de instituições financeiras para discutir os resultados recentes e as perspectivas para a região nos próximos anos.

De acordo com o Boletim Macro Regional Nordeste, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a atividade econômica da região cresceu 2,4% em 2025, acompanhando a média nacional. O mercado de trabalho também apresentou resultados expressivos, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), o Nordeste foi a segunda região que mais gerou empregos formais no país no último ano, com saldo positivo de 347,9 mil vagas.

Para o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, o principal questionamento não deve ser por que a região cresceu, mas como esse crescimento foi construído. “Durante muito tempo, o Nordeste foi visto apenas sob a perspectiva das desigualdades e das limitações históricas. Hoje, o cenário é outro. Em pouco mais de uma década, o Produto Interno Bruto (PIB) da região dobrou e o Nordeste já pode ser comparado a economias importantes da América Latina, como a do Chile”, afirmou.

Segundo ele, os avanços são resultado de uma combinação entre investimentos estratégicos e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional. “A redução da taxa de desemprego e a criação de aproximadamente 300 mil novos postos de trabalho mostram a força dessa transformação. É como se, em um único ano, tivéssemos criado um estado de Sergipe inteiro com pessoas empregadas. O Nordeste deixou de ser uma região deficitária em diversos setores e se tornou referência, especialmente na área de energia. O Nordeste avança e, ao avançar, impulsiona o crescimento do Brasil”, destacou.

A mudança de percepção sobre a região também foi ressaltada pelo secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Tavares. “O Nordeste não é mais a região do futuro. É a região do presente. O Banco do Nordeste tornou-se uma referência mundial em financiamento ao desenvolvimento regional”, afirmou.

Os participantes apontaram a retomada dos investimentos públicos e privados como um dos principais fatores para o crescimento econômico da região. O secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Roberto Nani Garibe Filho, destacou o papel do programa na ampliação da infraestrutura e na redução das desigualdades históricas. “Por muito tempo, o desenvolvimento brasileiro esteve concentrado no Sudeste. Esse modelo começa a ser transformado à medida que o Nordeste passa a ocupar uma posição estratégica nas políticas públicas nacionais”, disse.

Segundo Garibe, o PAC reúne investimentos públicos e privados, e dedica atenção especial à região. “A segurança hídrica é uma das prioridades. As obras estruturantes estão levando água para milhões de pessoas e ampliando as condições para o desenvolvimento econômico. Também estamos fortalecendo o acesso à saúde, ampliando os investimentos e universalizando serviços essenciais”, afirmou.

A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Fernanda Coelho, destacou que o desempenho econômico do Nordeste é resultado de uma decisão política de colocar a região no centro das estratégias de desenvolvimento. “O Nordeste apresenta crescimento acima da média nacional porque houve uma escolha clara de fortalecer suas potencialidades. A região possui ativos únicos, como a Caatinga, o semiárido e uma agricultura familiar dinâmica, capazes de impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento baseado na inovação e na sustentabilidade”, afirmou.

Segundo ela, entre 2023 e 2025, o BNDES aprovou mais de R$20 bilhões em financiamentos para a região. “Precisamos ampliar o acesso ao crédito e incentivar investimentos que incorporem inovação e agreguem valor à produção regional. Em parceria com o Banco do Nordeste, estamos apoiando iniciativas voltadas à restauração da Caatinga e ao fortalecimento da agricultura familiar”, explicou.

Maria Fernanda também destacou o potencial do acordo entre Mercosul e União Europeia para ampliar a inserção internacional da região. “O acordo abre novas oportunidades para setores alinhados às demandas do século XXI, especialmente aqueles relacionados à bioeconomia, à biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Foto: Larissa Barros

O potencial do Nordeste para liderar a transição energética brasileira foi um dos principais pontos debatidos durante o evento. Representando a Neoenergia, João Paulo Rodrigues destacou que a região reúne condições únicas para se consolidar como referência em energia limpa. “Durante muitos anos, o Nordeste foi uma região que demandava infraestrutura. Hoje, é uma plataforma de oportunidades, especialmente nos setores de energia renovável e turismo”, afirmou.

Segundo ele, cerca de 90% do potencial de geração de energia da região está associado a fontes renováveis. “O que atrai investimentos é a capacidade de gerar energia limpa e competitiva. O Nordeste possui uma vocação natural para o setor elétrico, mas é fundamental ampliar a infraestrutura e garantir segurança jurídica para manter esse ciclo de crescimento”, disse.

Para os próximos dez anos, João aponta como prioridades a expansão da rede elétrica, a eficiência energética e os investimentos em educação. “Precisamos pensar não apenas na geração de energia, mas também no consumo eficiente e na formação de pessoas. Educação e inovação são elementos essenciais para sustentar esse desenvolvimento”, destacou.

Redução das desigualdades

A necessidade de garantir um crescimento equilibrado entre todos os estados nordestinos também esteve entre os principais temas do encontro.

Representando a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Alexandre ressaltou que a região vem crescendo acima da média nacional, mas ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade. “Nos últimos anos, o Nordeste tem atraído cada vez mais investimentos e despertado o interesse de diferentes setores econômicos. No entanto, é preciso garantir que esse crescimento alcance todos os estados e reduza as desigualdades regionais”, afirmou.

Segundo ele, infraestrutura, educação e apoio aos micro, pequenos e médios empreendedores serão determinantes para consolidar um desenvolvimento mais inclusivo. “A transformação de uma região passa, necessariamente, pela formação das pessoas. Educação é um investimento de longo prazo e um dos pilares para qualquer nação que deseja crescer de forma sustentável”, disse.

O diretor de planejamento do Banco do Nordeste, José Aldemir Freire, destacou que a diversificação da economia regional tem sido fundamental para a geração de empregos e o fortalecimento do desenvolvimento. “Se, no passado, a economia nordestina esteve concentrada em poucos setores, hoje ela é muito mais diversificada, com destaque para a fruticultura, o agronegócio, a indústria automobilística, o turismo e as energias renováveis”, afirmou.

Foto: Larissa Barros

Para ele, os investimentos em infraestrutura, saneamento, logística e transporte devem ampliar ainda mais o potencial econômico da região. “Estamos construindo as bases para um ciclo de desenvolvimento de longo prazo. A renda está aumentando, o desemprego vem diminuindo e as perspectivas para os próximos dez anos são bastante positivas”, concluiu.

Ao longo dos debates, autoridades e especialistas defenderam a continuidade de políticas públicas voltadas à inovação, à sustentabilidade e à redução das desigualdades regionais. O consenso entre os participantes foi de que o Nordeste deixou de ser visto apenas pelos desafios históricos e passou a ocupar uma posição estratégica no futuro econômico do Brasil, reunindo condições para liderar uma nova agenda de desenvolvimento baseada em inclusão social, transição energética e crescimento sustentável.

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