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16 de junho de 2026 06:05

Nordeste ganha espaço em plano ferroviário bilionário e aposta na retomada dos trens de passageiros

Nordeste ganha espaço em plano ferroviário bilionário e aposta na retomada dos trens de passageiros

Região concentra projetos estratégicos para transporte regional, revitalização de trechos ociosos e atração de investimentos nacionais e internacionais
Apresentação do ministro George Santoro | foto: Luiz Siqueira/MT

O Nordeste desponta como uma das regiões mais beneficiadas pela nova estratégia ferroviária do governo federal, apresentada recentemente a investidores brasileiros e estrangeiros. Integrando uma carteira nacional que prevê investimentos estimados em R$ 160 bilhões, os estados nordestinos receberam destaque em projetos voltados à retomada do transporte ferroviário de passageiros, à recuperação de trechos ociosos e à ampliação da integração logística regional.

A iniciativa foi apresentada pelo Ministério dos Transportes durante evento realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), na última semana, e também fez parte de uma missão oficial à China, onde representantes do governo buscaram atrair investidores para os empreendimentos ferroviários planejados para os próximos anos.

No Nordeste, a carteira inclui três projetos de transporte regional de passageiros considerados prioritários: Salvador–Feira de Santana, na Bahia; Fortaleza–Sobral, no Ceará; e São Luís–Itapecuru Mirim, no Maranhão. A proposta marca uma tentativa de recolocar o transporte ferroviário de passageiros no centro da mobilidade regional, após décadas de redução da participação dos trens no deslocamento entre cidades brasileiras.

O maior dos projetos é o trecho Fortaleza–Sobral, com 240 quilômetros de extensão, conectando municípios importantes do interior cearense à capital. Na Bahia, a ligação entre Salvador e Feira de Santana deverá atender um dos principais corredores econômicos do estado, enquanto o projeto maranhense pretende fortalecer a conexão entre a capital São Luís e cidades do entorno.

Segundo o Ministério dos Transportes, os empreendimentos serão estruturados com modelos capazes de atrair a participação da iniciativa privada. Além da arrecadação tarifária, os projetos poderão contar com receitas provenientes da exploração imobiliária nas áreas próximas às estações e da valorização dos terrenos ao longo dos corredores ferroviários.

Outro destaque da estratégia federal é o programa de Ferrovias Inteligentes, criado para recuperar trechos ferroviários atualmente subutilizados ou abandonados. O Nordeste aparece novamente em posição de destaque com dois projetos selecionados: o corredor Alagoinhas–Propriá, ligando Bahia e Sergipe ao longo de 427 quilômetros, e o trecho Natal–Macau, no Rio Grande do Norte, com 241 quilômetros de extensão.

A proposta é utilizar chamamentos públicos para identificar empresas interessadas em revitalizar esses corredores. Dependendo da demanda identificada, as linhas poderão ser destinadas ao transporte de cargas, passageiros ou até mesmo a iniciativas de turismo ferroviário.

Durante a apresentação da carteira ferroviária, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o objetivo é ampliar as possibilidades de uso da malha ferroviária existente, especialmente em regiões onde a infraestrutura permanece ociosa ou apresenta baixo aproveitamento econômico.

Além dos projetos regionais apresentados aos investidores, o governo também destacou iniciativas urbanas em andamento no Nordeste. Entre elas estão os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) de Arapiraca, em Alagoas, e de Campina Grande, na Paraíba.

Em Arapiraca, as obras de revitalização da linha férrea seguem em execução, com conclusão parcial prevista para o segundo semestre de 2026. Os testes operacionais devem começar ainda este ano. Já em Campina Grande, o projeto continua em fase de adequação e regularização fundiária, com previsão de entrega à população em 2027.

O protagonismo nordestino na nova política ferroviária ocorre em meio ao esforço do governo para ampliar a participação dos trilhos na matriz de transportes do país. Atualmente, o Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, mas menos de 10 mil quilômetros estão efetivamente em operação.

A estratégia federal também ganhou dimensão internacional durante a missão realizada na China. A comitiva brasileira apresentou projetos e mecanismos de financiamento a bancos, investidores e empresas do setor ferroviário, reforçando a busca por capital estrangeiro para viabilizar os empreendimentos.

A aproximação entre Brasil e China tem se intensificado nos últimos anos, especialmente após a assinatura de um memorando de entendimento entre a Infra S.A. e a China State Railway Group, considerada a maior empresa ferroviária do mundo.

Com a combinação de investimentos públicos, participação privada e cooperação internacional, a expectativa é que o Nordeste se torne uma das principais vitrines da retomada ferroviária brasileira. Mais do que recuperar trilhos, os projetos pretendem ampliar a integração regional, reduzir custos logísticos e criar novas oportunidades de desenvolvimento econômico para os estados nordestinos.

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