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25 de maio de 2026 14:44

Nordeste vive contrastes demográficos com capitais em retração e cidades médias em expansão

Nordeste vive contrastes demográficos com capitais em retração e cidades médias em expansão

Dados do IBGE mostram retração em Salvador e Natal, mas Sergipe e João Pessoa se destacam pelo crescimento acima da média
Foto: Divulgação/EBC

O Nordeste segue como um dos polos populacionais mais relevantes do Brasil, mas os números mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a dinâmica demográfica da região está longe de ser uniforme. As nove capitais nordestinas somam 12.033.736 habitantes em 2025, um dado expressivo que reflete tanto o vigor econômico quanto os desafios urbanos que se impõem. Ainda assim, enquanto algumas cidades crescem acima da média nacional, outras enfrentam queda populacional e precisam lidar com os efeitos de um esvaziamento gradual.

No ranking regional, Fortaleza mantém a dianteira com 2.578.483 habitantes e crescimento de 0,16%. Salvador aparece logo em seguida, com 2.564.204 moradores, mas apresenta retração de -0,18%, sendo uma das capitais que mais perderam população no período. A capital baiana divide a tendência de queda com Natal (RN), que registrou -0,14%. Na contramão, João Pessoa (PB) se destaca como a capital nordestina que mais cresceu: 1,01%, chegando a 897.633 habitantes. Em nível nacional, o fenômeno do declínio populacional é ainda mais amplo: 41,6% dos municípios do Sul e 39,2% dos do Nordeste registraram perdas. Entre os fatores explicativos estão a migração interna, o envelhecimento da população e a busca por oportunidades em polos mais diversificados.

Esse movimento reforça a necessidade de políticas públicas capazes de responder a diferentes realidades. Enquanto capitais como João Pessoa e Teresina apontam trajetórias ascendentes, outras cidades precisam repensar sua capacidade de reter habitantes, seja por meio da geração de emprego, da atração de investimentos ou de estratégias de planejamento urbano. O crescimento ou retração populacional não é apenas uma estatística: ele impacta diretamente na arrecadação municipal, na oferta de serviços públicos e no ordenamento territorial.

Um caso que chama atenção no novo levantamento do IBGE é Sergipe. O estado tem hoje 2.299.425 habitantes, crescimento de 0,36% em relação a 2024, acima da média do Nordeste (0,23%). Com esse desempenho, Sergipe ocupa a terceira posição regional em taxa de crescimento, ficando atrás apenas da Paraíba (0,47%) e do Ceará (0,38%). Aracaju, com 630.932 habitantes, continua sendo a capital nordestina menos populosa, mas a movimentação populacional em municípios vizinhos mostra a força das dinâmicas metropolitanas.

Na Região Metropolitana de Aracaju, a Barra dos Coqueiros se destacou com crescimento de 1,8%, atingindo 45.175 moradores. O aumento contrasta com a estabilidade da capital e revela um fenômeno presente em várias partes do país: o adensamento populacional nas cidades do entorno das capitais, muitas vezes motivado pelo preço da terra, expansão imobiliária e busca por qualidade de vida. Além disso, municípios como Itabaiana (109.250 hab.; +0,8%) e São Cristóvão (101.213 hab.; +0,8%) reforçam que o interior também ganha protagonismo nesse novo desenho demográfico.

Seja pela perda de habitantes em grandes capitais, seja pelo crescimento acelerado em cidades médias e regiões metropolitanas, os números divulgados pelo IBGE funcionam como um termômetro das transformações sociais e econômicas em curso no Nordeste. Eles ajudam a compreender que a região não é homogênea e que, para planejar o futuro, é preciso olhar para as particularidades locais.

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