
Depois de dois anos de forte expansão econômica, o Nordeste deve enfrentar um período de crescimento mais moderado entre 2026 e 2027. A avaliação consta em relatório do banco Santander Brasil, que aponta desaceleração gradual da atividade econômica em todo o país após o impulso gerado pela demanda doméstica e pela safra recorde registrada em 2025.
Segundo as projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) nordestino, que teria avançado 3,1% em 2025, deve crescer 1,6% em 2026 e 1,0% em 2027. Apesar da perda de ritmo, o banco destaca que o desempenho regional continuará superior ao observado em boa parte da década passada.
A principal mudança no cenário está relacionada à agropecuária. Após um ano excepcional, marcado por expansão estimada de 15,8% em 2025, impulsionada pela produção de grãos e pela ampliação da fronteira agrícola, o setor deve recuar 1,1% em 2026 e crescer apenas 0,2% em 2027. Estados como Piauí, Ceará e Maranhão figuraram entre os maiores beneficiados pelo ciclo favorável, com altas expressivas na atividade rural.
Mesmo com a desaceleração do campo, alguns estados seguem em destaque nas projeções. O Maranhão deverá liderar o crescimento regional, com expansão de 2,2% em 2026 e 1,8% em 2027. O Piauí aparece logo atrás, com previsão de crescimento de 1,8% nos dois anos, enquanto a Paraíba deve avançar 2,3% em 2026 e 1,7% em 2027. Já a Bahia, maior economia nordestina, apresenta projeções mais modestas, de 1,3% e 0,5%, respectivamente.
O setor de serviços continuará sendo o principal sustentáculo da economia regional. Beneficiado pelo mercado de trabalho aquecido e pela expansão do consumo, o segmento deve manter taxas positivas de crescimento, embora em ritmo menor. Piauí, Ceará e Maranhão aparecem entre os destaques recentes do varejo e dos serviços prestados às famílias.
A indústria também tende a contribuir para a atividade econômica. Apesar dos efeitos das condições financeiras mais restritivas e da volatilidade observada nos últimos anos, o Santander projeta crescimento próximo de 2% ao ano para o setor em 2026 e 2027. Piauí, Paraíba e Maranhão são apontados como os estados com melhor desempenho industrial na região.
O relatório ressalta ainda que riscos climáticos, especialmente a possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño, poderão influenciar o comportamento da agropecuária e do crescimento regional nos próximos anos. Ainda assim, a expectativa é de que o Nordeste mantenha uma trajetória de expansão, sustentada principalmente pelos serviços e pela resiliência da indústria.