
O Complexo Industrial Portuário de Suape vive um momento decisivo de transformação, com um pipeline de investimentos que ultrapassa R$ 2 bilhões e mais de 10 projetos ativos entre obras, arrendamentos e concessões. A avaliação foi feita pelo presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto, durante palestra na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), na última segunda-feira (25).
O crescimento do porto está fortemente ligado à expansão da Refinaria Abreu e Lima, que impulsiona a movimentação de granéis líquidos — atualmente responsáveis por cerca de 60% de toda a carga do terminal. Com a previsão de duplicação da capacidade da refinaria, Suape prepara investimentos de R$ 140 milhões na recuperação e ampliação dos Píeres de Granéis Líquidos (PGL-1 e PGL-2), aumentando a capacidade operacional para absorver a nova demanda.
Dentro desse novo ciclo, a implantação dos Cais 6 e 7 se destaca como um dos projetos mais estratégicos. Os novos berços permitirão ampliar significativamente a capacidade do porto e receber cargas inéditas em Suape. O plano de arrendamentos e modernização inclui ainda terminais em fase avançada, como o SUA01, voltado à movimentação de veículos, e o SUA08, para carga de projeto e apoio offshore, com investimentos de cerca de R$ 115 milhões. O terminal SUA06 prevê aportes estimados em R$ 75 milhões.
Os maiores projetos, porém, ainda estão em fase de estruturação. O Lote 14, para movimentação de granéis líquidos, e o terminal SUA09, que sozinho pode atrair cerca de R$ 800 milhões em investimentos, são apostas para os próximos anos.
No cenário internacional, Suape iniciou aproximação com o Porto de Antuérpia-Bruges, segundo maior complexo portuário da Europa. O interesse europeu está relacionado à posição geográfica privilegiada do terminal pernambucano, sua estrutura de águas profundas e potencial de conexão com mercados da Europa, África e América do Norte. Diferentemente do modelo adotado pelo Porto do Pecém, no Ceará, que firmou parceria com Roterdã, Suape não discute participação acionária ou cogestão internacional neste momento.
A ferrovia Transnordestina também integra os planos de expansão. A conexão pode adicionar cerca de 16 milhões de toneladas por ano à movimentação do porto, que hoje gira em torno de 25 milhões de toneladas. Ainda assim, o presidente afirmou que Suape não ficará paralisado aguardando a ferrovia, ampliando desde já sua área de influência logística por rodovia e novas rotas marítimas.
Outro destaque é a inauguração, no dia 12 de junho, do novo terminal da APM Terminals; o primeiro de contêineres 100% eletrificado da América Latina, com investimento inicial de R$ 2,1 bilhões e capacidade de 400 mil TEUs. Até o fim do ano, Suape também espera retomar a exportação de frutas, categoria que havia migrado para portos concorrentes do Nordeste, com expectativa inicial de movimentação de aproximadamente 15 mil contêineres.
Bisneto reconheceu, porém, uma lacuna competitiva em relação ao Ceará: a ausência de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) plenamente operacional. Segundo ele, há conversas para tirar a ZPE do papel, mas é preciso convergência entre a futura ZPE pública de Suape e a ZPE privada do Cone, que detém a concessão, mas não avançou com a operação.
O presidente também externou preocupação com a venda do Cais Leste pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A possível transformação da área em terminal privado pode criar competição assimétrica, já que operadores externos não estariam submetidos às mesmas obrigações tarifárias dos arrendatários atuais do porto organizado.