O Porto do Recife quer ampliar a movimentação de cargas a partir de 2027 e já colhe sinais de que a estratégia pode funcionar. Neste mês, o terminal recebeu a maior carga de bobinas de aço dos últimos oito anos de operação dessa mercadoria: 2.257 unidades, o equivalente a mais de 25 mil toneladas, que chegaram do Porto de Santos, em São Paulo. É também o maior volume do produto em um único desembarque no estado.
As bobinas são fabricadas pela Usiminas, líder no mercado de aços planos, e abastecem indústrias de vários estados, sobretudo dos setores automotivo, de construção civil e de metalurgia. Para o diretor-presidente do porto, Wagner Maciel, a operação reforça a vocação do terminal na movimentação de produtos siderúrgicos. “Foram 2.257 bobinas de aço, mais de 25 mil toneladas”, destacou, ao ressaltar que a carga demonstra a expertise e a eficiência operacional do porto, e que o volume é crescente a cada ano.
O porto conta com pátios e armazéns para estocar o material. A Indústria de Produtos Metalúrgicos (IPM) responde por 65% da movimentação de bobinas, com operação anual de cerca de 100 mil toneladas. A empresa, voltada à metalurgia pesada e à serralharia industrial, tem sede no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, e filial em Caaporã, na Paraíba. As duas unidades somam aproximadamente 1.200 empregos diretos.
Obras em andamento
O desempenho se soma a um pacote de intervenções previsto no Plano Anual de Negócios de 2026, que define as prioridades de infraestrutura e operação. A dragagem dos canais de acesso, com R$ 93,4 milhões em recursos federais, deve elevar a profundidade para 12 metros e ampliar a capacidade do terminal.
O planejamento inclui ainda a renovação do sistema de defensas, com R$ 15 milhões, a contratação de um novo sistema de combate a incêndio e medidas de segurança, como videomonitoramento e controle de acesso. O porto prepara, além disso, projetos de manutenção e revitalização, drenagem e pavimentação das vias internas.
Novos negócios
Outra aposta é a diversificação. Na área REC08, arrematada pelo grupo LiquiPort Terminal Portuário, será implantado um terminal de grãos com investimento superior a R$ 50 milhões. O foco é o fornecimento de malte e cevada ao polo cervejeiro de Pernambuco, setor que demanda esse tipo de insumo.
A estratégia envolve também a otimização das operações nos berços de atracação e a busca por oportunidades comerciais. Neste ano, foi renovado o convênio de delegação de competências entre os governos federal e estadual, que mantém o modelo de gestão estadualizada do terminal.
A expectativa da gestão é converter as melhorias estruturais em mais cargas e receitas, mesmo diante das oscilações nos custos do transporte marítimo e do cenário internacional. “Estamos prontos para, já a partir de 2027 e nos próximos anos, crescermos em volume de cargas, movimentação portuária, operações turísticas e atração de novos negócios”, afirmou Maciel.
