
O Nordeste concentra praticamente toda a produção brasileira de algumas culturas agrícolas e vem ampliando sua participação em cadeias de maior valor econômico. É o que mostra o levantamento Perfil Produtivo Agrícola, elaborado pela Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) com base em dados da PAM (Produção Agrícola Municipal) 2024, do IBGE. O estudo reúne informações de 20 culturas, entre lavouras permanentes e temporárias, permitindo analisar produção, área colhida, rendimento, valor da produção e distribuição dos cultivos entre os municípios da região.
Entre os destaques está o agave, também conhecido como sisal: o Nordeste responde por 100% da produção brasileira, que chegou a 93,3 mil toneladas em 2024. A concentração também é elevada na castanha de caju, com 158,5 mil toneladas produzidas na região — 99,56% de toda a produção nacional. Na manga, o Nordeste responde por 82,11% da produção brasileira, com aproximadamente 1,51 milhão de toneladas, cultivo especialmente relevante no polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.
O melão é outro exemplo de especialização regional, com o Nordeste concentrando 98,35% da produção nacional, cerca de 803 mil toneladas em 2024. A região também lidera em guaraná, coco-da-baía, maracujá, uva, goiaba e cacau, além de responder por 99,42% da produção nacional de fava e 95,56% da mamona.
O levantamento também evidencia a importância econômica de culturas permanentes de maior valor agregado. O cacau apresentou o maior valor de produção, de aproximadamente R$ 6,5 bilhões em 2024, seguido pela uva, com R$ 5,2 bilhões, e pela manga, com R$ 2,9 bilhões — juntas, as três culturas movimentaram cerca de R$ 14,6 bilhões na região. O cacau também se destaca pelo volume, com 137,2 mil toneladas produzidas, sobretudo no sul da Bahia.
O avanço da fruticultura irrigada é outro elemento central desse mapa agrícola: a produção de manga e uva se consolidou em polos especializados, capazes de atender tanto ao mercado doméstico quanto às exportações.
Para a Sudene, os dados revelam uma agricultura nordestina mais diversificada e especializada do que o retrato tradicionalmente associado à produção de subsistência. A disponibilidade de áreas irrigadas, a adoção de tecnologia e a concentração de cadeias produtivas em determinados municípios permitiram o desenvolvimento de polos competitivos, especialmente na fruticultura. O painel ainda possibilita comparar a evolução das culturas entre 2014 e 2024, identificando mudanças na distribuição e no peso econômico dos diferentes cultivos ao longo da última década.