
Projetos de infraestrutura no Nordeste poderão combinar diferentes fontes de financiamento para adequar o crédito às características de cada empreendimento. A possibilidade foi discutida no dia 8, durante o Brasil Export, em Brasília, em painel que reuniu órgãos públicos e instituições financeiras para tratar de crédito para inovação, transportes e desenvolvimento regional.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) foi representada pelo coordenador-geral de Gestão Institucional, Pabllo Brandão. Ele apresentou opções de financiamento com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e dos incentivos fiscais administrados pela autarquia.
Segundo o gestor, a Sudene estrutura alternativas para reunir recursos públicos e privados em um mesmo projeto, modelo conhecido como blended finance. Um empreendimento que envolva infraestrutura e inovação, por exemplo, pode acessar diferentes linhas do FNE, desde que cumpra os requisitos de cada modalidade.
Para 2027, o FNE terá R$ 60,9 bilhões destinados ao setor produtivo. O FDNE, por sua vez, tem captações internacionais em andamento para ampliar sua capacidade: € 120 milhões do contrato com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e US$ 300 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Somadas, as operações chegam a R$ 2,1 bilhões, pela cotação do dia 8.
Mais de 80% da carteira do FDNE é de infraestrutura, como a Transnordestina, parques de energia solar e eólica e linhas de transmissão. O tema também está no Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), que prevê o eixo de infraestrutura econômica e urbana e o programa de Integração Logística Regional.
O painel discutiu ainda a conexão entre as políticas nacionais de inovação e industrialização e as vocações econômicas de cada região, com o objetivo de estimular investimentos em tecnologia e agregação de valor. Outro assunto foi o uso do Fundo da Marinha Mercante (FMM) no apoio à indústria naval e à modernização da infraestrutura de transportes.
Participaram também representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Finep, da Sudeco, do Ministério de Portos e Aeroportos e da Sudam.